
Uma audiência pública virtual promovida pela Câmara Municipal de Salvador discutiu, na manhã de quinta-feira (25), a proposta do governo federal de privatizar bancos públicos como a Caixa Econômica Federal (CEF), Banco do Brasil e Banco do Nordeste. A audiência foi solicitada pela líder do PT na Casa, vereadora Marta Rodrigues.
“De pronto nos colocamos à disposição quando este mandato foi pautado para esta audiência. Estamos sofrendo uma série de ataques às nossas instituições públicas, assim como aconteceu com a água que está para ser privatizada, o saneamento público. Mesmo nesse grave período de pandemia, não podemos deixar de debater essas questões”, declarou a vereadora.
De acordo com Marta, sem esses bancos, o Brasil teria menos estudantes de baixa renda nas universidades, a comida seria muito mais cara, assim como o financiamento da casa própria; as regiões brasileiras seriam muito desiguais e teríamos muito menos investimentos em setores produtivos e em infraestrutura.
“Um dado importante trazido nesta audiência, por exemplo, foi de que em 2015 eram 10 mil estudantes no Fies e este número caiu para 2, 3 mil”, disse, se referindo ao que foi trazido para o debate pelo presidente da Federação Nacional das Associações da Caixa Econômica Federal, Sérgio Takemoto.
Papel fundamental – Juvandia Moreira, presidente da Contraf-CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro) afirmou que os bancos públicos desempenham papel fundamental na economia brasileira e são instrumentos de política econômica e de promoção do desenvolvimento.
Presidente da Federação Nacional das Associações da CEF, Sérgio Takemoto, afirmou: “É importante resgatar o momento em que vivenciamos o papel de um banco público, nos governos de Lula e Dilma, quando vimos eles sendo responsáveis pelos programas sociais como foi a Caixa com o Fies, Minha Casa, Minha Vida, Bolsa-Família. Fomentaram a economia, o desenvolvimento social, a educação. Nessa pandemia, se não fosse a Caixa não haveria o auxílio emergencial”, destacou.
Integrante do Sindicato dos Bancários da Bahia, Viviane Soares disse que os bancos públicos devem buscar o lucro, mas ter utilidade econômica e social. “Por isso a importância de lutar contra a privatização. Bancos privados não tem este interesse. Visam apenas o lucro”. Eliomar Carvalho, também da Contraf, pontuou que os bancos públicos são promotores de políticas públicas e distribuição de renda.
Adriana Pitanga, do Sindicato dos Bancários, enfatizou que “a privatização só vai aumentar a desigualdade e a pobreza, trazendo mais prejuízo ainda”. John Goodwif, da Associação dos Aposentados e Pensionistas da CEF da Bahia, da Caixa Seguros, da Fenae Federação, FUNCEF, finalizou a audiência trazendo um exemplo de como devem ser avaliados os bancos públicos. “Durante a crise financeira internacional de 2008-9, os bancos privados diminuíram a oferta de crédito e elevaram as taxas de juros. Os bancos públicos fizeram o contrário, com o objetivo de estimular e facilitar o consumo e o investimento. O resultado foi que o Brasil enfrentou aquela crise gerando empregos e sofrendo poucos abalos. Ainda que sejam utilizados critérios meramente contábeis, os bancos públicos são tão ou mais eficientes que os bancos privados”, destacou.
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