
A decisão do senador Ângelo Coronel de deixar o PSD e romper de vez com a base do PT na Bahia abriu uma ferida que o Palácio de Ondina não consegue mais esconder. Coronel não é um quadro qualquer: é tratado nos bastidores como um dos maiores senadores municipalistas da história recente, com trânsito real entre prefeitos e vereadores de todas as regiões do estado.
Ao ser limado da chapa majoritária, Coronel levou junto a desconfiança de centenas de lideranças municipais que subiam sem dificuldade no palanque governista e agora fazem a pergunta óbvia: se o PT traiu um senador desse tamanho, o que sobra para prefeitos e vereadores?
O impacto é direto sobre o governador Jerônimo Rodrigues, que sai desse episódio mais fraco do que nunca esteve. Jerônimo mostrou incapacidade de diálogo, não se colocou como líder de grupo e assistiu passivamente à implosão de uma das poucas pontes que ainda tinha com o interior.
Coronel, além de seu próprio peso político, atrai parlamentares que até então orbitavam o governo, muitos deles pela relação construída quando presidiu a Assembleia Legislativa de forma republicana e pelo papel do filho Diego Coronel, reconhecido pelo perfil conciliador e senso comum na articulação política.
Nos números, o estrago é visível: segundo dados do TSE, a Bahia tem mais de 3.400 vereadores e 417 prefeitos, base onde Coronel sempre foi forte. É justamente aí que o governo perde musculatura, enquanto o senador sinaliza novos caminhos e “novos desafios”, como escreveu em mensagem enigmática nas redes.
O recado também chega ao senador Otto Alencar, que tende a pagar um preço alto nas próximas eleições municipais.
A lógica da política é simples e corre solta nos corredores: se o PT descartou Angelo Coronel, aliado histórico e com base consolidada, prefeitos e vereadores não vão esperar para descobrir quem será o próximo. Com a possível vitória de Coronel em 2026, o efeito dominó pode acelerar, levando aliados a seguir o mesmo caminho e deixando claro que a trairagem virou risco calculado para quem ainda insiste em ficar.
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