Valter Pontes SECOM Salvador
Muito além dos atendimentos emergenciais e ambulatoriais, a rede municipal de saúde também atua no cuidado a pacientes com transtornos mentais. De janeiro a agosto, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) realizou mais de 115 mil atendimentos nessa área, conforme dados do Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS. Desse total, 20.555 usuários são acompanhados de forma integral nos serviços especializados em saúde mental.
A capital baiana conta atualmente com 20 Centros de Atenção Psicossocial (Caps), que atendem, em sua maioria, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. Todas as unidades são voltadas para o atendimento de pessoas com transtornos mentais graves e persistentes. Desse montante, quatro unidades são voltadas para o público infantojuvenil, até 18 anos, na modalidade 24 horas e acolhimento noturno. Além disso, há dois Caps municipais para o público AD (álcool e outras drogas).
Salvador deve implantar, até 2028, mais dois centros com acolhimento noturno, além de três centros de saúde mental: Osvaldo Camargo, no Rio Vermelho; Aristides Novis, em Brotas; e o CSM Rubin de Pinho, nos Dendezeiros.
Funcionamento – O corpo técnico das unidades é formado por psiquiatras, pediatras, psicólogos, terapeutas ocupacionais, educadores físicos e assistentes sociais, dando assistência tanto para os usuários como para suas famílias. Nestes locais, são realizados atendimentos individuais e em grupos, de forma integral.
Atuando como apoio técnico da Coordenadoria de Atenção Psicossocial, Júlia Prestes explica como funciona a Rede de Atenção Psicossocial (Raps). “Ela é composta pelos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), voltados para o atendimento de pessoas com transtornos mentais considerados graves e persistentes. Para casos mais leves e menos persistentes, o atendimento pode ser realizado na Atenção Básica do município, que também compõe a rede.”
Fazem parte ainda as UPAs (Unidades de Pronto-Atendimento), o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192) e leitos de hospitais gerais que acolhem pacientes em crise e que precisam de uma intensificação de cuidados.
Além disso, a Raps dispõe do serviço de residência terapêutica, tratada como estratégia de desinstitucionalização para o público oriundo de hospitais psiquiátricos.
“São tratadas pessoas que perderam vínculos familiares, sem emprego ou renda. Então, neste serviço, que é ligado ao SUS, eles encontram tratamento e moradia, caso não tenham nenhum vínculo familiar conhecido”, afirma a coordenadora. Salvador conta atualmente com sete unidades de residência terapêutica.
Há ainda, neste sentido, ações de economia solidária, voltadas para a geração de emprego e renda para pessoas com transtornos mentais.
“Temos uma forte parceria com a Universidade Federal da Bahia (Ufba), a partir da Rede Gerar, um dispositivo de economia solidária, para pessoas nesta situação. Neste contexto, elas produzem seus próprios produtos, participam de feiras, fazem formações e comercializam. É preciso destacar que o cuidado com a saúde mental precisa estar conectado a outros pontos da vida desses pacientes”, assinala Júlia Prestes.
Como ser atendido – O cidadão que precisar de acompanhamento em saúde mental pode procurar os Caps de Salvador durante toda a semana para realização do acolhimento, seguido de escuta, com duração de 30 minutos a 1 hora, para compreender a gravidade do transtorno mental, para que seja dado o encaminhamento adequado.
Outro modo de acesso ocorre a partir de encaminhamento pela rede municipal de saúde, ou através das urgências e emergências, sendo que o maior índice de procura se dá por meio de demanda espontânea.
O acolhimento ocorre diariamente, sendo que as vagas são limitadas à capacidade de cada Caps. A organização para atendimento acontece com base no endereço de residência do paciente. A partir da entrevista prévia, é efetuada a matrícula e o devido acompanhamento a longo prazo.
“O Caps é um lugar de passagem, não de permanência”, pontua Júlia Prestes.
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