
Cinco anos após a “compra frustrada” de respiradores durante a pandemia de Covid-19, apenas cerca de 7,3% dos R$ 48,7 milhões pagos antecipadamente pelo Consórcio Nordeste à empresa Hempcare tiveram recuperação pública comprovada.
O único ressarcimento amplamente divulgado ocorreu por iniciativa do Governo do Rio Grande do Norte, que informou ter recuperado judicialmente R$ 3.569.685,74. Isso significa que mais de 92% dos recursos desembolsados no contrato continuam sem recuperação pública comprovada, apesar das investigações e das disputas judiciais envolvendo o caso.
O contrato foi firmado em abril de 2020, quando Rui Costa (PT) era simultaneamente governador da Bahia e presidente do Consórcio Nordeste. A Hempcare recebeu o pagamento antecipado para fornecer 300 respiradores pulmonares, mas os equipamentos nunca foram entregues.
O episódio tornou-se um dos casos mais conhecidos envolvendo compras emergenciais durante a pandemia e passou a ser alvo de apurações por órgãos de controle e de investigações criminais.
Embora diferentes processos tenham produzido decisões distintas ao longo dos últimos anos, o prejuízo financeiro permanece como um dos principais pontos de debate. O ressarcimento anunciado pelo Rio Grande do Norte representa apenas uma pequena parcela do valor originalmente pago pelo Consórcio Nordeste, enquanto a maior parte dos recursos continua sem retorno público comprovado.
O caso segue sendo citado por críticos da gestão da época e permanece como referência nas discussões sobre transparência, controle e responsabilidade na aplicação de recursos públicos durante a pandemia.
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