Rui Costa, Jaques Wagner e Credcesta: documentos revelam origem baiana de operação que impulsionou escândalo do Banco Master

TVS1.com.br

Uma decisão tomada dentro do governo da Bahia em 2018 está hoje no centro das investigações e questionamentos que cercam o Banco Master. Na gestão do petista Rui Costa, com Jaques Wagner à frente da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, a estatal Ebal foi arrematada pela NGV Empreendimentos e Participações por R$ 15 milhões depois de duas tentativas anteriores sem interessados.

O pacote entregue ao comprador não incluía apenas a empresa e as 49 lojas da Cesta do Povo: documentos do próprio governo baiano mostram que estavam incluídos também o direito de exploração da marca e o Programa Credicesta, que dava acesso a uma clientela formada pelo funcionalismo estadual.

O primeiro leilão havia partido de um valor mínimo de R$ 81 milhões; na terceira tentativa, o negócio foi fechado R$ 66 milhões abaixo daquele patamar inicial.

O que aconteceu nas semanas seguintes ajuda a explicar por que aquela venda ganhou nova importância oito anos depois. A apuração do Poder360 mostra que, 16 dias após o leilão, Rui Costa assinou decretos que ampliaram as possibilidades de exploração financeira do programa, incluindo uma margem específica para operações vinculadas ao Credcesta. Posteriormente, Augusto Lima, o Guga, aproximou a operação de Daniel Vorcaro e do então Banco Máxima, que mais tarde se transformaria no Master.

Em janeiro de 2022, Rui assinou ainda o Decreto 21.041, restringindo a portabilidade a determinadas instituições financeiras e excluindo da faculdade as chamadas “demais consignatárias”. O próprio Master utilizaria essa regra judicialmente para sustentar que dívidas do Credcesta não poderiam ser transferidas para outro banco.

Contratos reunidos em ações judiciais mostram operações com juros próximos de 5% ao mês, enquanto o crédito consignado para servidores tinha médias de mercado significativamente menores naquele período.

A operação cresceu em escala muito maior do que o antigo cartão de compras da Cesta do Povo. Segundo dados reunidos pelo Poder360 a partir de registros enviados à CPI e de informações financeiras, o Master obteve R$ 1,6 bilhão apenas em 2024 com a venda de carteiras do Credcesta e R$ 709 milhões com juros desses empréstimos. Entre 2022 e 2024, a comercialização das carteiras teria movimentado R$ 2,4 bilhões, enquanto o produto se espalhou por 24 unidades da Federação. Ao mesmo tempo, o Tribunal de Justiça da Bahia passou a concentrar milhares de processos envolvendo servidores que questionam contratos, juros e descontos em folha.

A TVS1 acompanha essas reclamações desde março e já mostrou casos de servidores e aposentados que relatavam comprometimento severo da renda com descontos relacionados ao produto.

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Agora, essa história se conecta diretamente à Operação Compliance Zero.

Jaques Wagner foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal em 18 de junho, e os investigadores apuram sua relação com Augusto Lima e possíveis vantagens econômicas ligadas ao grupo; o senador nega irregularidades e não foi condenado.

Wagner afirma que a venda da Ebal era necessária por causa dos prejuízos da estatal, sustenta que negociou com um fundo espanhol e diz que as irregularidades posteriores do Master não têm relação com o governo petista.

Rui Costa também não é apontado como condenado por irregularidades no Credcesta; procurado pelo portal Poder360 para explicar as decisões de sua gestão, não respondeu à reportagem.




O capítulo mais recente ocorreu em 7 de agosto, quando a PF desmarcou o depoimento de Wagner depois que sua defesa alegou não ter obtido acesso integral aos autos.

O que começou como a venda de uma estatal deficitária na Bahia acabou, anos depois, transformado em uma das principais linhas investigativas para entender como o Credcesta ajudou a impulsionar o império financeiro associado ao Banco Master.







Sobre Mathias Jaimes

Mathias Ariel Jaimes ( DRT 5674 Ba ) , é CEO do site #TVServidor e sócio-proprietário da agência de comunicação interativa #TVS1 . Formado em publicidade na Argentina. Estudou artes plásticas na Universidade Federal da Bahia. MBA em marketing e comunicação estratégica na Uninassau. Aluno do professor Olavo de Carvalho, Curso Online de Filosofia, desde 2015.

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