
Enquanto a Bahia vive a terceira fuga de presos em poucos meses, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) segue calado diante de um escândalo que escancarou o controle do crime organizado sobre o sistema prisional. No presídio de Eunápolis, detalhes divulgados nesta semana revelam um verdadeiro “roteiro de filme”, com romance, compra de votos e regalias absurdas para detentos.
O caso, que ocorreu no fim de 2023, foi abafado até agora e deixou claro que o Estado perdeu o comando dentro das próprias cadeias. Nenhuma palavra de Jerônimo. Nenhuma medida concreta.
A repercussão nacional do caso acendeu o alerta dentro do Palácio de Ondina. Fontes do governo afirmam que o secretário de Administração Penitenciária, José Castro, está por um fio e vem sendo pressionado a renunciar. Indicado pelo MDB, ele virou alvo de críticas internas após a nova fuga em Teixeira de Freitas e pelo silêncio ensurdecedor do governo sobre a crise.
Interlocutores próximos ao governador confirmam que Jerônimo quer a cabeça de Castro, mas “não quer criar ruído com o MDB”. Em bom baianês: tem medo de contrariar o ex-presidiário Geddel Vieira Lima, que depois de coordenar a campanha de Jerônimo em 2022, manda e desmanda no governo da Bahia.
Enquanto isso, o caos segue. Dados do CNJ mostram que a Bahia tem hoje uma das maiores taxas de superlotação do Brasil, com mais de 19 mil presos em unidades que comportam menos de 13 mil.
A omissão do governador e o receio de desagradar aliados mostram que a segurança pública baiana está nas mãos da política de conveniência. E o povo? Refém da bandidagem, dentro e fora dos presídios.
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