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Sob pressão por segurança pública, Lula muda tom e expõe contradições entre discurso e prática, enquanto pesquisas e crimes colocam tema no topo das preocupações

O discurso presidencial sobre segurança pública mudou ao longo do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, acompanhando o aumento do temor social e as pesquisas de opinião. Em momentos distintos, Lula criticou a atuação policial e, em outros, adotou tom mais duro, defendendo ações contra organizações criminosas, enquanto medidas e decretos criaram controvérsias. O levantamento que mapeou essa trajetória mostra correlações entre dados de opinião e alterações retóricas do Planalto, conforme informação divulgada pela Gazeta do Povo.

A virada inicial e as críticas à polícia – No relançamento do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania, em março de 2023, Lula afirmou que, nas periferias, o Estado muitas vezes “só está presente com a polícia para bater“, uma fala que especialistas apontaram como deslegitimadora das forças policiais.

O advogado e especialista em segurança pública Alex Erno Breunig considerou que a generalização da atuação policial como violenta “estimula desconfiança social e rivalidade”, enfraquecendo a cooperação entre população e agentes de segurança, segundo a reportagem analisada.

O primeiro sinal estatístico de alerta veio em abril de 2023, quando a Pesquisa Genial/Quaest, realizada de 13 a 16 daquele mês, com 2.015 entrevistas presenciais com eleitores a partir de 16 anos e margem de erro de 2,2 pontos percentuais, apontou que a violência era a segunda maior preocupação nacional, citada por 22% dos entrevistados, enquanto a economia liderava, com 31%.

Dados que botaram o tema no centro do debate – O impacto sobre a opinião pública ficou mais forte quando dados apresentados em agosto de 2024 chamaram atenção para crimes cotidianos, como o furto de celulares. A Pesquisa Datafolha, encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e divulgada em agosto de 2024, mostrou que 9,2% dos brasileiros tiveram o celular roubado ou furtado entre julho de 2023 e junho de 2024, o equivalente a 14,7 milhões de vítimas, além de indicar que 45% dos casos não foram registrados oficialmente.

O estudo estimou um prejuízo de R$ 22,7 bilhões, e afirmou que 53% dos entrevistados disseram evitar circular em determinados locais por medo de ações criminosas. Esses números pressionaram o governo e motivaram mudança no tom presidencial.

Endurecimento retórico, medidas contraditórias – A partir de 2024 e em 2025, Lula passou a afirmar que “o Estado é mais forte que os bandidos“, e a defender, com mais ênfase, propostas como a PEC da Segurança Pública, ainda que a proposta tenha esbarrado em resistências no Congresso. Ao mesmo tempo, em dezembro de 2024, o governo publicou um decreto regulamentando o uso da força policial, com restrições operacionais sob o argumento de proteger direitos humanos, e condicionou repasses federais à sua aplicação, gerando críticas de que o texto burocratizou a atividade policial.

Em fevereiro de 2025, o governo lançou o Plano Pena Justa, em parceria com o CNJ e o STF, que especialistas entenderam como um desencarceramento em massa, apesar de o discurso oficial ter endurecido contra o crime organizado.

O constitucionalista André Marsiglia alertou que “Soltar ladrões de celulares porque não usaram a força para a prática é dar legitimidade ao crime organizado e manter seu financiamento ativo”.

Reação popular, resultados eleitorais e riscos para 2026 – A repercussão negativa de falas e políticas foi rápida. Em novembro de 2024, após Lula dizer que “traficantes são vítimas dos usuários“, uma pesquisa Genial/Quaest mostrou que 81% dos brasileiros discordavam do presidente, enquanto 14% concordavam, em levantamento realizado de 6 a 9 de novembro com 2.004 entrevistados em 120 municípios, margem de erro de dois pontos percentuais.

Levantamentos posteriores registraram queda de confiança e maior apoio a operações policiais. O Instituto Paraná Pesquisas, em outubro de 2025, apontou que 45,8% dos brasileiros acreditavam que a segurança pública havia piorado no governo Lula, e pesquisas no Rio de Janeiro mostraram apoio majoritário a megaoperações, com 69,6% favoráveis.

Especialistas como Sérgio Gomes e Alessandro Chiarottino avaliam que o governo reagiu ao ambiente político e social, mas não construiu uma política de longo prazo consistente, e que a segurança pública deverá pesar na agenda da possível campanha de reeleição de 2026.

Para Marcelo Almeida, os dados sobre celulares foram gatilho para nova inflexão discursiva, e para Alex Erno Breunig, decretos que restringem a ação policial podem enfraquecer a resposta em cenários de alta violência.

Na avaliação de Luiz Augusto Módolo, o tema virou discurso de palanque, ajustado conforme o ambiente, marcado por contradições entre fala e prática, o que indica que haverá novos ajustes retóricos até 2026, sem garantia de convergência entre teoria e ação.

Emmanuel

Como me defino? Pernambucano, católico e ANCAP. Sem mais delongas... " Totus Tuus Mariae". "... São os jovens deste século, que na aurora do novo milénio, vivem ainda os tormentos derivados do pecado, do ódio, da violência, do terrorismo e da guerra..." Um adendo: somos dois pernambucanos contra um "não-pernambucano". Rs

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