Sob a ameaça de expulsão do Partido dos Trabalhadores (PT) através do recebimento da notificação oficial do partido, os vereadores Luiz Carlos Suíca e Moisés Rocha resolveram recorrer da decisão do diretório municipal da legenda. Os edis petistas são apontados por descumprir resolução da legenda e não votar em Marta Rodrigues, colega de sigla, para a presidência da Câmara Municipal de Salvador.
Em entrevista ao TV Servidor, Suíca declarou que considera “equívoco” a decisão de uma parte da Executiva Municipal do PT pela expulsão do vereador do partido.
Já o vereador Moisés Rocha preferiu um tom mais incisivo e radical e classificou a afronta do PT como um “golpe” contra ele. “Nós lutamos contra o golpe dado contra a presidente Dilma Rousseff, mas alguns alunos dos golpistas estão no PT repetindo internamente o que foi feito nacionalmente. Como eu sempre brinco: golpe no dos outros é refresco”, afirma Moisés.
No partido há mais de 20 anos, Suíca e Moisés se defendem ao argumentarem que são militantes históricos da legenda, seguem fielmente os princípios básicos do PT e voltam a declarar que não querem deixar o partido.
Conforme Moisés, a decisão é uma afronta aos princípios básicos do partido. “O PT sempre se pautou pelo respeito à pessoa humana, mas faltou respeito (no processo de expulsão). Faltou diálogo, debate das ideias, amplo direito de defesa”, repudia.
No mesmo tom, Suíca comenta que o processo é inédito. “Querem expulsar dois vereadores negros, das camadas mais carentes, dos movimentos sindicais, forjados nas lutas históricas do PT, com mais de 20 anos de partido. Meus filhos foram criados no ambiente petista”, disse.
Ambos votaram no vereador Leo Prates (DEM) para a presidência da Câmara, o que resultou na abertura do processo de expulsão.
A vereadora Marta Rodrigues (PT), que disputou contra Prates, evitou entrar no meio desse imbróglio a dizer que não iria comentar a expulsão dos colegas. “O partido é que tem competência. Não estou entrando nesse debate”, disse. Notificados oficialmente, os dois vereadores vão recorrer à executiva estadual do PT.
Rebate
O vice-presidente municipal do PT, Paulo Mota, criticou o posicionamento dos vereadores em relação ao processo de expulsão. “Estão dando porrada na gente, mas não fazem o enfrentamento à gestão municipal, não atacam a maquiagem feita pelo prefeito (ACM Neto). Não sei em que time estão. Não podemos ficar com vereadores que não cumprem as resoluções”, ressaltou.
Paulo Mota rebateu também as acusações dos vereadores. Ele disse que houve tentativas do diretório de realizar reuniões com os dois vereadores para iniciar o debate sobre a estratégia política para a Câmara, mas informou que os dois não compareceram.
“Não fizeram questão de reunião com ninguém. Tudo foi protocolado, tiveram direito de defesa. Houve desrespeito à direção municipal”, afirma.
Diante desse impasse, os vereadores já estão sendo sondados por outros partidos. O líder do PHS na Câmara, vereador Téo Senna, por exemplo, fez convite publicamente aos dois para o partido.
Rafael Santana com informações do A TARDE