
O técnico do Bahia, Guto Ferreira, demonstrou emocionado a dor ao saber da morte de jogadores e membros do time Chapecoense e comparou a perda com o sentimento de perder um familiar. O treinador que esteve à frente do time catarinense entre setembro de 2015 e junho de 2016 e disse que no meio do futebol, os profissionais acabam convivendo mais entre eles do que com a família.
“Perdi grandes companheiros. Conhecia a história de quase todos do clube que perderam suas vidas. Batalhadores, pais de família, profissionais corretos. Eles vinham subindo e amadurecendo aos poucos, por conta da mentalidade desses caras em fazer o melhor dentro da realidade deles, com muita justiça, muita seriedade e muita dignidade”, disse Guto.
Ainda emocionado, Guto lembrou da proximidade e relação de amizade e diálogo que tinha com a equipe de Chapecoense que estava no avião que caiu na Colômbia na madrugada desta terça-feira, 29.
Muitos dos atletas foram descobertos pelo técnico. O treinador evitou destacar sobre o incentivo e a oportunidade aos jogadores revelados por ele.
“Nesse momento, não importa quem foi oportunizado ou não. O que importa é o trabalho que estava sendo desenvolvido pelo Cadú (Gaúcho, diretor), pelo Maurinho (Mauro Stumpf, vice-presidente de futebol) e Sandro (Pallaoro, presidente do clube). Não era um trabalho desse ano. Eles vinham subindo e amadurecendo aos poucos, por conta da mentalidade desses caras em fazer o melhor dentro da realidade deles, com muita justiça, muita seriedade e muita dignidade. O choque é ter isso interrompido no momento mais bonito do clube”, afirma
Antes da entrevista desta terça, Guto Ferreira já tinha se manifestado através das redes sociais para falar sobre a tragédia.
“Sábado postava mais um momento alegre em minha carreira, o acesso com o Bahia, mas hoje sinceramente a vida me quebrou as pernas, é o momento mais triste. Me faltam mais palavras para descrever meus sentimentos. Uma tragédia sem precedentes que abala todos nós que vivemos de futebol. Tantas amizades que fiz no período que trabalhei na Chapecoense. Estive lá até o final de junho deste ano. Perdi grandes companheiros. Conhecia a história de quase todos do clube que perderam suas vidas. Batalhadores, pais de família, profissionais corretos. É um golpe duro que não irei absorver nunca. Meus sinceros pêsames aos familiares de todos que perderam suas vidas. Que Deus os conforte”, escreve.