
Rui Costa voltou a justificar o apelido de “Rui Grosseria”, usado por ACM Neto e João Roma, ao minimizar o grave incidente aéreo sofrido pelos dois opositores, além de Roberta Roma, Angelo Coronel e Nelson Leal.
Enquanto o governador Jerônimo Rodrigues deixou a disputa política de lado, prestou solidariedade e afirmou que o confronto deve ficar no campo das ideias, o ex-governador e ex-ministro do descondenado Lula preferiu dizer que quem anda de avião enfrenta turbulência e risco de acidente.
Rui ainda aproveitou o momento para provocar Roma sobre a agenda ACM Neto na Bahia Farm Show que acontece em Luis Eduardo Magalhães, oeste da Bahia.
A postura colocou Rui Costa em contraste até mesmo com seu sucessor no governo. ACM Neto já havia afirmado que o antigo “Rui Correria” virou “Rui Grosseria” e acusado o petista de agir nos bastidores para ocupar o lugar de Jerônimo na disputa pelo governo. João Roma também adotou o apelido e chamou Rui de “amigo da onça”, acusando o ex-governador de tentar derrubar aliados do próprio grupo.
Agora, ao fazer pouco caso de um episódio que obrigou uma aeronave despressurizada a perder altitude e retornar a Salvador, Rui reforçou a imagem de político que tenta se apresentar como o personagem mais forte da chapa petista.
A valentia exibida diante dos adversários contrasta com as explicações dadas por Rui Costa no inquérito dos respiradores “em casa de maconha”. Em 2020, quando presidia o Consórcio Nordeste, foi assinado o contrato de R$ 48 milhões com a Hempcare para a compra de 300 equipamentos que nunca foram entregues.
Segundo a revista VEJA, a delegada da Polícia Federal questionou Rui sobre o pagamento realizado antes da assinatura do contrato, a ausência inicial do negócio no Portal da Transparência e a escolha de uma empresa sem experiência numa operação desse tamanho. Rui Costa respondeu na época que não sabia do pagamento antecipado, que não acompanhava diariamente o portal e que desconhecia a ligação do nome Hempcare com produtos derivados de maconha por “não dominar o inglês”.
Rui chegou a chorar ao vivo na TV Bahia durante a pandemia, mas o episódio ocorreu quando falava sobre as mortes, as aglomerações e a resistência às medidas sanitárias, e não durante questionamentos sobre os respiradores. No processo, o petista sempre negou participação em qualquer fraude, afirmou que determinou a investigação e pediu a punição dos responsáveis. Mesmo assim, o caso segue aberto: a Procuradoria-Geral da República apontou indícios para a continuidade da apuração, que envolve suspeitas de desvio de recursos, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.
O Rui Costa que hoje ironiza o susto vivido pelos adversários ainda precisa enfrentar perguntas bem mais sérias sobre os R$ 48 milhões pagos por equipamentos que jamais chegaram aos hospitais.
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Cadê os respiradores?