
A Operação Compliance Zero colocou Jaques Wagner no olho do furacão nesta quinta-feira (18), após a Polícia Federal cumprir busca e apreensão contra o senador do PT-BA, líder do governo Lula no Senado.
Segundo a investigação autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF, um apartamento de luxo no Poème Horto, em Salvador, avaliado em cerca de R$ 2,45 milhões, aparece como um dos pontos centrais da apuração sobre supostas vantagens indevidas envolvendo pessoas ligadas ao Banco Master.
De acordo com a PF, mensagens indicam que Wagner teria enviado ao empresário Augusto Ferreira Lima informações sobre a unidade 1.702 do empreendimento, incluindo número do apartamento, contato do corretor e valor do imóvel. Na sequência, investigadores apontam que a compra teria sido formalizada pela empresa Epítome S.A., com recursos ligados a estruturas financeiras do grupo investigado, o que levantou suspeita de ocultação do real beneficiário.
A apuração também cita pagamentos feitos a Bonnie Bonilha, enteada do senador, que teria recebido cerca de R$ 11 milhões do Banco Master por meio de contrato de consultoria.
O caso ganhou ainda mais peso porque a PF afirma ter encontrado novas tratativas sobre o imóvel mesmo depois da primeira fase da operação, com reuniões, ligações, videoconferências e troca de documentos para reorganizar juridicamente a situação do apartamento.
Para André Mendonça, há risco concreto de interferência nas provas, motivo pelo qual Jaques Wagner e outros investigados foram proibidos de manter contato com funcionários, corretores, engenheiros, arquitetos e colaboradores da construtora ligados à unidade.
O Banco Master, do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, está no centro de uma investigação sobre fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.
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