
A situação de Jaques Wagner ficou pesada em Brasília e respingou direto na Bahia. A Polícia Federal apontou semelhanças entre a compra de um apartamento de R$ 2,5 milhões no Horto Florestal ligado ao senador petista e um modelo já investigado no caso Banco Master, envolvendo fundos de investimento, empresas intermediárias e suspeita de ocultação do real beneficiário do imóvel.
Segundo apurações da Polícia Federal, o imóvel em Salvador teria relação com Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, enquanto a defesa de Jaques Wagner nega irregularidades, afirma que o apartamento nunca entrou no patrimônio do senador e diz que ele não favoreceu o Banco Master em sua atuação parlamentar.
O ponto que mais incendiou o caso foi a comparação feita pela Polícia Federal com suposto esquema de propina envolvendo Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília. Investigadores apontam que a operação imobiliária atribuída ao entorno de Jaques Wagner teria seguido lógica parecida, com recursos passando por fundos ligados à Reag Investimentos e estruturas societárias usadas para dificultar a identificação da origem do dinheiro e do beneficiário final.
Também aparece no relatório o nome do advogado Daniel Monteiro, apontado como operador em situações investigadas dentro da Operação Compliance Zero.
A pressão política aumentou porque mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro citam Jaques Wagner como possível elo para recados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em uma conversa de 17 de julho de 2024, Fernando Mascarenhas Filho, diretor comercial do Banco Master, teria falado em mandar informação para “tio Guiga e Jaques”, referência que a Polícia Federal atribui ao publicitário Guilherme Sodré Martins e ao senador Jaques Wagner.
A defesa do petista reagiu dizendo que ele não participou dessas conversas, não pode responder por diálogos de terceiros e que não existe relação com Daniel Vorcaro.
A crise não parou no apartamento. A Polícia Federal também apreendeu US$ 55 mil e 33 mil euros em espécie, além de 13 relógios em endereço ligado a Jaques Wagner, enquanto o senador afirma que os valores têm origem em diárias legais de missões oficiais e que está à disposição das autoridades.
A permanência de Wagner na liderança do governo no Senado passou a ser discutida por causa do desgaste sobre o descondenado Lula e sobre o PT, justamente num momento em que a Bahia vira peça central da disputa nacional.
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