
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, proibiu o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de visitar o pai, Jair Bolsonaro, durante 90 dias, período que atravessa praticamente toda a campanha até o primeiro turno de 4 de outubro. A decisão foi tomada depois que Flávio publicou nas redes sociais uma carta escrita pelo ex-presidente, na qual Bolsonaro defendeu a união da família e declarou apoio à candidatura do filho.
Moraes entendeu que a divulgação pode ter desrespeitado as regras da prisão domiciliar humanitária, que impedem Bolsonaro de usar redes sociais diretamente ou por intermédio de terceiros, e deu 48 horas para a defesa explicar a participação do ex-presidente na publicação.
Sem poder contar com o contato direto de Flávio e diante do afastamento político de Michelle Bolsonaro, os advogados deverão funcionar como principal ponte entre Bolsonaro e a coordenação da campanha.
A decisão provocou críticas entre parlamentares bolsonaristas, que acusaram Moraes de adotar uma medida desproporcional e lembraram que cartas escritas por Luiz Inácio Lula da Silva durante sua prisão em Curitiba foram lidas publicamente e divulgadas nas redes sociais. Nos bastidores, porém, aliados de Flávio enxergaram uma vantagem inesperada: distante do pai, o senador teria mais liberdade para decidir alianças, palanques estaduais e rumos da campanha sem consultar Bolsonaro a cada passo, além de poder se apresentar ao eleitorado como vítima de perseguição judicial.
O episódio cria mais um obstáculo para a direita, mas também pode ajudar Flávio a construir uma candidatura com identidade própria, num momento em que a disputa presidencial entra numa fase decisiva e cada movimento passa a valer ouro.
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