
A Hempcare Pharma Representações tinha menos de um ano de existência e capital social declarado de apenas R$ 100 mil quando fechou um contrato de R$ 48,7 milhões com o Consórcio Nordeste para fornecer 300 respiradores durante a fase mais crítica da pandemia. Aberta em junho de 2019, em São Paulo, a empresa era comandada por Cristiana Prestes Taddeo e atuava na representação de produtos farmacêuticos.
Mesmo sem histórico conhecido na fabricação de equipamentos hospitalares, a Hempcare foi escolhida, sem licitação, para intermediar a compra dos aparelhos que viriam do exterior.
O pagamento foi realizado integralmente e de forma antecipada, mas nenhum respirador chegou aos estados nordestinos.
Documentos do próprio Consórcio Nordeste mostram que a contratação avançou a partir de uma proposta comercial apresentada pela Hempcare em abril de 2020, em meio à corrida mundial por equipamentos médicos. O contrato previa 60 respiradores para a Bahia e 30 para cada um dos outros oito estados da região. Auditorias posteriores apontaram ausência de pesquisa adequada de preços, indícios de incapacidade operacional da fornecedora e falta de garantias suficientes para proteger os cofres públicos em caso de descumprimento.
O Tribunal de Contas da União reconheceu falhas no processo, mas, em 2025, acolheu as justificativas dos gestores diante do contexto emergencial e determinou que a busca pelo ressarcimento prosseguisse contra a empresa.
Depois que a entrega fracassou, a Hempcare virou alvo de investigações policiais, processos judiciais e apurações de órgãos de controle. Cristiana Taddeo chegou a ser presa durante a Operação Ragnarok, deflagrada pela Polícia Civil da Bahia, e o caso também foi analisado pela Polícia Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça. A empresa aparece atualmente com situação cadastral inapta por omissão de declarações, segundo dados públicos da Receita Federal reproduzidos por plataformas de consulta empresarial.
Seis anos depois, o dinheiro ainda permanece no centro de uma disputa por ressarcimento, enquanto uma nova auditoria do TCE-BA sustenta que houve “erros administrativos grosseiros” na condução da compra durante a gestão de Rui Costa à frente do Consórcio Nordeste.
O processo, porém, ainda será julgado pelo plenário do tribunal e não representa condenação definitiva.
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