
Durante o projeto Sua Voz é Nossa Voz, realizado neste sábado (25), em Jaguaquara, no Vale do Jiquiriçá, o candidato ao Governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), colocou a agricultura familiar no centro de seu discurso e prometeu reconstruir a política de apoio ao pequeno produtor caso seja eleito.
Em encontro com moradores, agricultores e lideranças da região, o ex-prefeito de Salvador afirmou que a produção rural perdeu assistência técnica, crédito e incentivo à comercialização nos últimos anos, defendendo uma atuação mais presente do Estado para fortalecer quem vive da terra.
As propostas surgiram após relatos da presidente da Cooperativa de Produtores Rurais de Jaguaquara, Micaela Anunciação, e do agricultor e comerciante Ivanaldo Saraiva. Micaela descreveu as dificuldades enfrentadas por quem produz no campo, destacando os altos custos de produção, a insegurança quanto à rentabilidade e a falta de apoio governamental. Segundo ela, a cooperativa tenta há três anos obter apoio do Governo da Bahia para implantar uma agroindústria de beneficiamento de frutas, mas, mesmo após diversas visitas a órgãos estaduais em Salvador, o projeto continua sem sair do papel. Ela também criticou a cobrança de taxa anual após a privatização do Mercado do Produtor, afirmando que a medida aumentou os custos para quem já trabalha com margens apertadas.
Ivanaldo, que administrou o Mercado do Produtor em 2001, lembrou que o espaço atendia agricultores de Jaguaquara e de diversos municípios vizinhos. De acordo com ele, a decisão de privatizar o equipamento ocorreu por causa de um déficit mensal de aproximadamente R$ 19 mil, valor que considerou pequeno diante da importância econômica e social do mercado para cerca de 13 mil pequenos produtores, além de comerciantes e suas famílias. Para o agricultor, a medida acabou penalizando justamente quem mais depende da atividade rural para sobreviver.
Ao responder às reclamações, ACM Neto atribuiu parte das dificuldades enfrentadas pelos agricultores ao fim da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), extinta em 2014. Segundo o candidato, a ausência de assistência técnica deixou milhares de produtores sem orientação para melhorar a produtividade, reduzir custos e aumentar a renda.
“Hoje, o pequeno produtor da Bahia não tem apoio técnico. Isso é um problema muito sério, porque é esse acompanhamento que permite produzir mais, ganhar mais e sustentar a família”.
Neto também prometeu ampliar o acesso ao crédito rural para aquisição de máquinas, equipamentos e insumos, além de criar mecanismos para aproximar os agricultores dos mercados consumidores. Ao comentar a situação do Mercado do Produtor, voltou a criticar a decisão de cobrar taxas dos pequenos produtores.
“O que representam R$ 19 mil para os cofres de um estado do tamanho da Bahia? Praticamente nada. Mas cada real cobrado do agricultor pesa diretamente no orçamento de quem vive da produção rural”.

Participaram do encontro o candidato a vice-governador, Zé Cocá (PP), o senador e candidato à reeleição Angelo Coronel (Republicanos), o prefeito de Jequié, Flavinho Santana, os deputados estaduais Hassan Iossef (PP) e Sandro Régis (União Brasil), os deputados federais Dal Barreto e Leur Lomanto Jr. (União Brasil), além do presidente estadual do PP e candidato a deputado federal Cacá Leão. Também estiveram presentes os prefeitos Vinicius Costa, de Manoel Vitorino, e Binho, de Lafaiete Coutinho, além de ex-prefeitos de diversos municípios do Vale do Jiquiriçá e do Médio Rio de Contas.
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