
O presidente da Argentina, Javier Milei, elevou o tom contra o ministro Alexandre de Moraes durante a convenção nacional do PL realizada no sábado, 25 de julho, em São Paulo, evento que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Ao reclamar da decisão que o impediu de visitar Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar, Milei chamou o magistrado de “lixo careca” e afirmou que o ex-presidente brasileiro está preso injustamente.
A fala, feita diante de apoiadores da direita, rapidamente ganhou repercussão política dentro e fora do evento.
A resposta veio horas depois por meio de uma nota do presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin. O ministro classificou a declaração como uma referência desrespeitosa a um integrante da mais alta Corte do país e afirmou que o ataque foi feito em território brasileiro contra uma decisão tomada de acordo com a Constituição e as leis. Fachin também reafirmou a autonomia do Judiciário e declarou que manifestações desse tipo não combinam com a civilidade esperada nas relações institucionais entre Brasil e Argentina.
A negativa para o encontro partiu de Moraes, que considerou a visita de Milei de natureza político-eleitoral, modalidade proibida nas restrições impostas a Bolsonaro. Na convenção, o argentino ainda criticou o governo Lula, atacou o socialismo e apresentou Flávio Bolsonaro como o nome capaz de derrotar o presidente nas eleições de outubro.
O episódio colocou no mesmo palco a largada eleitoral do PL, a aliança internacional da direita e um novo embate público com o STF, aumentando ainda mais a temperatura da disputa presidencial.
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