Câmara de Salvador destaca fontes e chafarizes antigos em ensaio fotográfico

Antonio Queirós

A Câmara Municipal de Salvador lança um olhar sensível sobre as origens da capital baiana por meio de um ensaio fotográfico assinado por Antonio Queirós, acompanhado de matéria de Fernanda Chagas. O material resgata a memória das fontes e chafarizes que garantiram o abastecimento de água potável e estruturaram a expansão urbana desde a fundação da “Cidade da Bahia”.

Quando Thomé de Sousa escolheu o local para fundar a capital, em 1549, a decisão foi fortemente influenciada pela abundância de nascentes de água doce ao sopé das falésias da Baía de Todos os Santos.

Durante séculos, antes da existência de redes encanadas, esses locais funcionaram como o coração pulsante da metrópole colonial. Eram pontos de encontro diário de moradores, marinheiros e, sobretudo, dos aguadeiros — em sua maioria trabalhadores escravizados que transportavam o precioso líquido em pipas e jarros. A malha de ruas e ladeiras de Salvador cresceu, literalmente, ao redor dos caminhos que conduziam a essas bicas.

Atualmente, 19 fontes são reconhecidas oficialmente como patrimônio histórico soteropolitano, contando com estruturas tombadas por órgãos de preservação estadual e federal. O ensaio fotográfico mapeia marcos fundamentais dessa trajetória, tais como:

* Fonte de Nossa Senhora da Graça (Fonte de Caramuru): Considerada a mais antiga da cidade, fica no Vale do Canela. Situada no século XVI nas terras de Diogo Álvares Correia (Caramuru) e Catarina Paraguaçu, contam as histórias populares que o casal se banhava no local. Também era chamada de Fonte das Naus por abastecer as embarcações.

* Fonte das Pedreiras (ou da Preguiça): Localizada na Avenida Contorno, figura entre as três mais antigas da capital.

* Fontes do Santo Antônio e do Baluarte: Situadas na Ladeira da Água Brusca, destacam-se pela arquitetura barroca do século XVIII.

* Fontes de São Pedro e Dique do Tororó: Estruturas de alta relevância, inscritas no Livro do Tombamento de Bens Imóveis e no patrimônio paisagístico estadual.

* Fonte do Gravatá: Protegida pelo Ipac por sua importância na formação urbana colonial.

* Fonte do Queimado: Construída em 1801 e tombada em 1984, foi visitada por Dom Pedro II em sua passagem pela Bahia em 1859.




Memória social – Para o presidente da Câmara Municipal, vereador Carlos Muniz (PSDB), as nascentes históricas sustentaram o crescimento de Salvador e carregam memórias vitais da identidade cultural e religiosa da cidade.

“Foram as fontes e chafarizes que garantiram o abastecimento da população durante séculos e ajudaram a moldar o crescimento urbano. Além do valor arquitetônico, esses espaços guardam memórias fundamentais da formação social, cultural e religiosa da capital”, destacou o parlamentar.

O historiador Murilo Mello reforça que as fontes são pilares da memória da cidade. “Representam o período de fundação de Salvador, quando eram essenciais para a sobrevivência antes do saneamento básico. É urgente que o poder público e a sociedade priorizem a preservação desse patrimônio, com atenção especial a fontes icônicas, como a da Graça, a do Gravatá e as da região de Água de Meninos”, analisou.

Mello também enfatizou a relevância da criação do roteiro turístico. “No ano passado, realizei uma aula aberta em formato de caminhada pelo centro histórico e surgiram diversas propostas de visitação às fontes. É uma iniciativa salutar para a preservação desse acervo que diz tanto sobre nós, sendo um itinerário importante para a nossa economia, para a nossa sociedade e para o fortalecimento da identidade de quem vive em Salvador e de quem vem de fora”, concluiu.







Sobre Mathias Jaimes

Mathias Ariel Jaimes ( DRT 5674 Ba ) , é CEO do site #TVServidor e sócio-proprietário da agência de comunicação interativa #TVS1 . Formado em publicidade na Argentina. Estudou artes plásticas na Universidade Federal da Bahia. MBA em marketing e comunicação estratégica na Uninassau. Aluno do professor Olavo de Carvalho, Curso Online de Filosofia, desde 2015.

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