
“A última vez que eu analisei documentos, Lula foi parar na cadeia.” A frase de Deltan Dallagnol elevou a temperatura da disputa sobre a abertura dos sigilos de Lula e Flávio Bolsonaro. Escalado pela campanha do candidato do PL para examinar os dados do petista, o ex-procurador afirmou que esperava encontrar documentos para conferir no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas que, naquele momento, havia recebido autorizações e compromissos.
Deltan também acusou a campanha petista de tentar deixar o Instituto Lula fora do acordo e chamou a articulação de “pegadinha”. O ex-procurador afirmou que os advogados de Flávio precisaram intervir para incluir a instituição e acusou o PT de “estelionato eleitoral”, alegando que Lula anunciou a abertura dos sigilos sem apresentar de imediato os documentos que, segundo ele, deveriam ser analisados.
A advogada Maria Cláudia Bucchianeri afirmou que Flávio só apresentará seus dados depois de a equipe verificar o material de Lula. “Se eles trouxerem tudo, a gente traz”, declarou. Ela disse que a campanha já reuniu os documentos do senador e defendeu ampliar o período da análise para além dos oito anos inicialmente discutidos: “Lula está no poder há quase 20 anos”.
Depois do impasse, as campanhas assinaram um acordo para autorizar a abertura dos sigilos, com divulgação simultânea das informações após o envio dos dados pelos órgãos responsáveis e a entrega das procurações pendentes.
A frase de Deltan remete à prisão de Lula em 2018, mas as condenações da Lava Jato em Curitiba foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal em 2021.
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