
A escalada de violência registrada em Salvador no dia do Ba-Vi abriu uma discussão que pode mexer profundamente com o futebol baiano. O secretário da Segurança Pública da Bahia, Marcelo Werner, defendeu nesta segunda-feira (24) que autoridades, clubes e sociedade passem a discutir a própria existência das torcidas organizadas depois dos episódios ocorridos antes do clássico entre Bahia e Vitória.
Em manifestação pública, Werner afirmou que “está na hora de repensar a existência desses grupos que se dizem torcida organizada” e criticou grupos envolvidos em violência, vandalismo e ataques nas ruas.
A declaração veio após um domingo marcado por ocorrências graves antes do Ba-Vi 508, vencido pelo Bahia por 2 a 0 no Barradão. José Alexandre Souza Borges, de 28 anos, morreu depois de sofrer golpes de arma branca durante um episódio de violência na região da Via Regional, em Cajazeiras. Segundo a Polícia Militar, ele chegou a ser socorrido e internado em uma UTI, mas não resistiu. Durante as diligências, policiais localizaram um grupo com cerca de 60 pessoas e encontraram seis homens com facas, soqueiras, foguetes e artefatos explosivos artesanais, além de vestígios aparentes de sangue em alguns dos abordados.
Os seis suspeitos foram autuados em flagrante por homicídio qualificado, tentativa de homicídio contra outras quatro pessoas, posse de artefato explosivo e promoção de tumulto, de acordo com informações divulgadas pela Polícia Civil. Três objetos perfurocortantes, dois artefatos explosivos, fogos de artifício, latas de spray e peças de roupa foram encaminhados para perícia.
Marcelo Werner informou ainda que dezenas de pessoas foram conduzidas durante a operação e que as forças de segurança continuavam as diligências para identificar outros participantes dos atos criminosos.
Outro jovem, Lucas dos Reis Bonfim, de 19 anos, também morreu no domingo após ser atingido por disparos de arma de fogo no bairro de Castelo Branco. Apesar de a morte ter ocorrido no mesmo dia do clássico e de a Bamor ter informado que Lucas integrava a torcida, a Polícia Civil fez uma ressalva importante: os levantamentos iniciais não apontaram relação entre o assassinato dele e o caso registrado na Via Regional, nem confirmaram ligação do crime com confrontos entre torcidas organizadas. O caso está sob investigação do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa.
A discussão levantada por Werner ocorre em um cenário no qual a torcida única já vigora nos clássicos Ba-Vi desde 2017, com uma breve tentativa de retomada das duas torcidas em 2018. Mesmo assim, episódios violentos continuaram ocorrendo fora dos estádios. Levantamento do ge aponta 14 mortes relacionadas à violência ligada ao futebol na Bahia, seis delas durante o período de torcida única. Agora, além do debate sobre manter ou não duas torcidas nos clássicos, a fala do secretário leva a discussão para outro patamar: qual deve ser o futuro das próprias organizadas e que medidas clubes, Federação Bahiana de Futebol, Ministério Público, Justiça e forças policiais podem adotar para impedir que a rivalidade volte a terminar em violência e morte.
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