
Em plena sabatina presidencial da TV Globo, Flávio Bolsonaro (PL) colocou a Bahia no centro do escândalo do Banco Master. Pressionado pela âncora Renata Vasconcellos sobre sua relação com Daniel Vorcaro e o financiamento do documentário “Dark Horse”, o candidato reagiu citando nominalmente Jaques Wagner e Rui Costa.
“Quem deve explicação é o Jaques Wagner, é o Rui Costa, é o pessoal da Bahia, o cerne, a origem de todo esse grande escândalo de corrupção”.
A declaração do candidato levou à maior vitrine da televisão brasileira uma conexão política e empresarial que começou a ser construída no estado anos antes da expansão nacional do banco.
O caminho apontado por Flávio passa pela privatização da Empresa Baiana de Alimentos, a Ebal, responsável pela rede Cesta do Povo. Em 2018, durante o governo Rui Costa, a estatal foi vendida após tentativas frustradas de leilão. O processo estava sob responsabilidade da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, então comandada por Jaques Wagner. O empresário Augusto Ferreira Lima, o Guiga de Wagner, apareceu como interessado no negócio e o edital passou a incluir a possibilidade de exploração do cartão consignado destinado aos servidores, aposentados e pensionistas do Estado.
O antigo Cartão Cesta foi transformado no Credcesta, produto que permitia comprometer uma parcela adicional da renda dos servidores. Foi justamente o Credcesta que se tornou um dos ativos mais valiosos do grupo empresarial.

Depois da aquisição da Ebal, Augusto Lima aproximou-se do Banco Máxima, controlado por Daniel Vorcaro e posteriormente rebatizado como Banco Master. Em 2020, Lima entrou na sociedade da instituição levando o Credcesta como ativo estratégico.
Dados do Banco Central citados pelo Poder360 mostram que a quantidade de clientes com crédito ativo no Máxima e no Master saltou de 33,6 mil, em 2018, para 5,8 milhões, em 2024. Já os contratos do Credcesta vinculados ao INSS cresceram de aproximadamente 104,8 mil, em 2022, para 2,75 milhões, em 2024, segundo registros consolidados pela Dataprev.
A conexão voltou ao centro das investigações com a Operação Compliance Zero.
A Polícia Federal cumpriu mandados em endereços ligados a Augusto Lima e Jaques Wagner e apura possíveis vínculos entre agentes públicos e interesses do grupo financeiro. Documentos da investigação, revelados pela Folha de S.Paulo, registram pelo menos 74 ligações entre Wagner e Augusto Lima ao longo de um ano e meio, além de viagens, presentes e reuniões que estão sendo analisados. Wagner afirma que provará sua inocência, nega ter recebido propina e sustenta que a venda da Ebal representou um bom negócio para a Bahia. O senador petista também declara que não conhecia o Banco Master quando a estatal foi privatizada e que eventuais irregularidades posteriores não têm relação com o governo petista.

Ao citar Wagner e Rui Costa diante de milhões de brasileiros, Flávio Bolsonaro transformou a origem baiana do Credcesta em tema central da campanha presidencial e ampliou a pressão sobre dois dos principais candidatos do PT ao Senado.
A acusação política não representa condenação judicial, mas encontra contexto em fatos documentados: a venda da Ebal ocorreu no governo Rui Costa, foi conduzida pela secretaria comandada por Wagner e colocou nas mãos de Augusto Lima o produto financeiro que posteriormente ajudaria a impulsionar o Banco Master.
O escândalo que ganhou dimensão bilionária nacional tem, portanto, um capítulo decisivo escrito na Bahia e dentro de decisões tomadas durante quase duas décadas de domínio político do PT no estado.
Saiba mais
Flávio cobra explicações de Wagner e Rui Costa durante sabatina
https://www.facebook.com/g1/videos/dark-horse-o-candidato-do-pl-%C3%A0-presid%C3%AAncia-da-rep%C3%BAblica-senador-fl%C3%A1vio-bolsonaro/1779137646420712/
Wagner e Rui Costa favoreceram negócio que enriqueceu Vorcaro, diz levantamento
https://www.poder360.com.br/poder-justica/jaques-wagner-e-rui-costa-favoreceram-negocio-que-enriqueceu-vorcaro/
PF identifica 74 ligações entre Jaques Wagner e ex-sócio do Master
https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/07/pf-aponta-presentes-de-ex-socio-do-master-a-politicos-e-74-ligacoes-com-jaques-wagner.shtml
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