Jerônimo Rodrigues cancela compra de trens por R$ 490 milhões e nova licitação fica R$ 142 milhões mais cara… quem vai explicar?

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Uma diferença de R$ 142,3 milhões na compra de apenas dez trens. Quem vai explicar essa conta ao contribuinte baiano? O governo de Jerônimo Rodrigues (PT) homologou uma nova licitação para o metrô de Salvador e Lauro de Freitas, agora vencida pelo Consórcio Grupo Alstom, por R$ 632.719.519,37. O problema é que, em julho de 2026, a Companhia de Transportes do Estado da Bahia (CTB) já havia homologado uma concorrência para adquirir as mesmas dez composições, com quatro carros cada, por R$ 490,38 milhões, da fabricante chinesa CRRC Changchun. A primeira licitação foi revogada em agosto, sem assinatura de contrato. Dois meses depois, a nova disputa terminou com um valor aproximadamente 29% superior ao da proposta vencedora anterior.

Não estamos falando de centavos, mas de uma diferença equivalente a mais de R$ 14 milhões por trem. O que mudou tanto para justificar uma distância dessa magnitude entre as duas contratações?

O caso ganha uma nova dimensão quando observamos quem esteve no comando da estatal. Eracy Lafuente Pereira Maciel, hoje secretário da Casa Civil de Jerônimo Rodrigues, presidiu a CTB durante a primeira licitação e participou das etapas que antecederam sua homologação. Em julho, deixou a companhia para assumir um dos cargos mais importantes do governo estadual, sendo substituído por Alan Oliveira.

A revogação da concorrência foi publicada em agosto, após questionamentos sobre exigências relacionadas ao credenciamento de equipamentos junto ao BNDES. Reportagem do Metro1 atribuiu a Eracy a assinatura do ato de revogação, informação cuja compatibilidade com sua saída anterior da presidência precisa ser esclarecida pela administração estadual.

A questão central, entretanto, permanece: como uma licitação que chegou a ser homologada por R$ 490 milhões terminou cancelada, abrindo caminho para outra de R$ 632 milhões?

É indispensável conhecer a justificativa administrativa completa, as alterações no edital e os pareceres jurídicos que fundamentaram essas decisões.

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A responsabilidade de prestar contas não termina na CTB. Em outubro de 2025, Jerônimo Rodrigues assinou um contrato de financiamento de R$ 636 milhões com a Caixa Econômica Federal para viabilizar a aquisição dos trens. A operação integra o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), coordenado pela Casa Civil do governo Lula, então comandada pelo ex-governador baiano Rui Costa (PT). Na cerimônia de assinatura do financiamento, Eracy ainda ocupava a presidência da CTB.

Estamos diante de uma contratação que envolve a administração estadual e recursos de financiamento associados a um programa federal. Isso não demonstra interferência pessoal de Rui Costa na seleção da fornecedora, mas torna indispensável a divulgação integral das condições financeiras, incluindo taxas, cronograma de desembolso, garantias e eventuais encargos.

O contribuinte tem o direito de saber não apenas quanto custarão os trens, mas quanto custará financiar essa operação.




Há outro detalhe que o Governo da Bahia precisa explicar com transparência. Na primeira licitação, a Alstom havia apresentado proposta de aproximadamente R$ 614,4 milhões, enquanto a chinesa CRRC ofereceu R$ 490,38 milhões. Na segunda disputa, realizada em setembro, a Alstom venceu por R$ 632,7 milhões, mas a própria CRRC aumentou sua oferta para cerca de R$ 636,75 milhões. Ou seja, as propostas das duas empresas mudaram, e a inversão dos preços não pode ser ignorada.

A nova concorrência também enfrentou questionamentos administrativos da fabricante chinesa, posteriormente rejeitados pela CTB. É preciso verificar se mudanças nas especificações, nos critérios de financiamento, nas garantias ou nas condições de fornecimento justificam economicamente os novos valores.

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A diferença de R$ 142 milhões não comprova superfaturamento, desvio ou fraude, mas certamente exige uma explicação técnica detalhada. Afinal, a administração pública tem o dever de demonstrar que suas decisões atendem ao interesse coletivo e preservam a economicidade dos gastos.

Os órgãos de controle, especialmente o Tribunal de Contas do Estado da Bahia e, conforme a aplicação dos recursos federais, as instituições de fiscalização da União, também têm elementos suficientes para examinar a regularidade e a economicidade do procedimento. Até 2 de novembro, a informação confirmada é a homologação da nova licitação e a convocação da Alstom para assinatura do contrato, não a existência de pagamentos indevidos.

O governo pode ter uma justificativa técnica para os R$ 142 milhões de diferença. O que não pode é esperar que a sociedade aceite uma mudança dessa dimensão sem respostas claras.




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Sobre Mathias Jaimes

Mathias Ariel Jaimes ( DRT 5674 Ba ) , é CEO do site #TVServidor e sócio-proprietário da agência de comunicação interativa #TVS1 . Formado em publicidade na Argentina. Estudou artes plásticas na Universidade Federal da Bahia. MBA em marketing e comunicação estratégica na Uninassau. Aluno do professor Olavo de Carvalho, Curso Online de Filosofia, desde 2015.

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