
Os shows de Jorge & Mateus nos Réveillons do Recife e de Fortaleza foram cancelados depois que o cantor Jorge manifestou apoio a Flávio Bolsonaro e declarou: “Pode chorar, mas eu não voto no PT”. A sequência de decisões levantou uma questão que vai além da programação das festas: um artista pode ser afastado de eventos públicos por declarar seu voto?
A reação de militantes e a pressão nas redes transformaram uma opinião política individual em motivo para retirar a dupla dos palcos.
Em Fortaleza, o prefeito Evandro Leitão (PT) afirmou que a polêmica desviava o foco da festa. No Recife, Victor Marques (PCdoB) justificou a retirada dizendo que “não há mais clima” para a apresentação, prevista para 27 de dezembro.
Jorge negou ter feito declarações ofensivas ao Nordeste e disse ter “uma gratidão imensa pelo povo nordestino”. O sertanejo também esclareceu que sua manifestação política era individual e não representava Mateus.
O vídeo que motivou a controvérsia não menciona o Nordeste.
Punir artistas por suas convicções cria um precedente preocupante e alimenta a intolerância contra quem não segue a cartilha de grupos de esquerda. A liberdade de expressão precisa valer também quando a opinião desagrada; gestores públicos devem proteger a convivência democrática, não ceder à pressão para transformar divergência política em veto profissional.
Em Salvador, Jorge & Mateus seguem confirmados para 31 de dezembro no Festival Virada, e o prefeito Bruno Reis afirmou que posicionamento político não é critério para escolher atrações.
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