
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não deve participar da tradicional caminhada do 2 de Julho em Salvador, data mais simbólica da política baiana, e a explicação oficial é médica: o petista foi orientado a evitar exposição ao sol, calor, suor e multidão por causa do tratamento de radioterapia no couro cabeludo, iniciado após a retirada de um câncer de pele.
Será a primeira vez desde 2022 que Lula ficará fora dos festejos da Independência do Brasil na Bahia, justamente em um ano em que o PT esperava usar a rua como demonstração de força popular.
O detalhe que chama atenção é que Lula deve manter compromissos oficiais na Bahia no dia 1º de julho, como a entrega do Hospital Regional de Alagoinhas, a autorização para início das obras da Ponte Salvador-Itaparica e a reabertura da sala principal do Teatro Castro Alves, em Salvador. Ou seja: agenda fechada, controlada e com palanque institucional, sim; caminhada no meio do povo, no calor da rua, no corpo a corpo do 2 de Julho, não.
A leitura política é inevitável: além do cuidado médico, o PT baiano sabe que o ambiente está mais pesado, e ninguém no governo quer transformar a festa cívica em palco de vaia, cobrança e constrangimento público.
O clima azedou ainda mais depois que o caso Banco Master entrou de vez no coração do petismo baiano, com Jaques Wagner alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero e deixando a liderança do governo Lula no Senado em meio ao desgaste
A investigação mira supostas vantagens ligadas ao Master e “conexões baianas” do banco a partir do CredCesta, criado no contexto dos governos petistas de Rui Costa e Jaques Wagner.
A defesa de Wagner nega irregularidades e afirma que ele jamais atuou para favorecer o Master, mas, politicamente, o estrago já está feito: na Bahia.
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