
A Bahia segue como um dos maiores trunfos eleitorais de Lula, mas a disputa pelo Governo do Estado pode transformar essa vantagem em um dilema estratégico. A pesquisa AtlasIntel/A TARDE mostra Lula com 55,7% dos votos válidos, 30 pontos à frente de Flávio Bolsonaro, mas também expõe um dado que muda o tabuleiro: 26% dos eleitores lulistas afirmam voto em ACM Neto para governador.
A pesquisa confirma que o eleitor baiano pode separar o voto nacional do estadual.
É aí que Lula terá de fazer sua escolha. Pode respeitar a espontaneidade desse eleitor, evitar transformar ACM Neto em alvo central e preservar sua ampla dianteira na Bahia. Ou pode abraçar integralmente a campanha de Jerônimo Rodrigues, nacionalizar o confronto e tentar empurrar o voto casado, correndo o risco de gerar antipatia justamente entre baianos que querem votar em Lula para presidente e em Neto para governador.
O problema para o PT é que a Bahia de 2026 não repete automaticamente a de 2022. Lula venceu o segundo turno passado com 72,12% dos votos no estado, enquanto o atual levantamento o coloca em 55,7% dos válidos no primeiro turno. São eleições e adversários diferentes, mas a distância revela que a margem hoje é menor, apesar de Lula continuar favorito. Isso exige cautela: transformar ACM Neto em inimigo prioritário pode abrir espaço para que Flávio Bolsonaro cresça onde o lulismo sempre foi mais forte.
Jerônimo precisa de Lula como principal cabo eleitoral. Lula, porém, precisa da Bahia como reserva nacional de votos. Se entrar numa guerra total para salvar o governador, poderá colocar em risco um patrimônio eleitoral construído ao longo de décadas. Se ficar em cima do muro, irrita a máquina petista local. A grande pergunta da campanha será simples:
Lula vai priorizar a livre escolha do eleitor baiano ou vai no all-in com Jerônimo Rodrigues?
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