
O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, anunciou que o país não deverá realizar novas eleições e afirmou que pretende criar leis para impedir que partidos de oposição cheguem ao governo. A declaração foi feita durante um evento pelos 47 anos da Revolução Sandinista, em Manágua.
No poder continuamente desde 2007, Ortega acusou adversários de agir com apoio dos Estados Unidos e deixou claro que pretende bloquear qualquer possibilidade de alternância política. Na prática, o anúncio elimina a disputa eleitoral como caminho para a troca de governo e consolida o comando dividido entre Ortega e sua esposa, Rosario Murillo, elevada à condição de copresidente após reformas que ampliaram os poderes do Executivo.
Ortega foi durante décadas uma referência da esquerda latino-americana e manteve proximidade política com Luiz Inácio Lula da Silva, mas a relação entre Brasil e Nicarágua entrou em crise em 2024, quando os dois países expulsaram reciprocamente seus embaixadores. O histórico do regime, porém, vai muito além de um conflito diplomático: investigadores da ONU afirmam ter encontrado fundamentos para considerar que violações cometidas desde 2018 podem constituir crimes contra a humanidade, incluindo perseguição política, desaparecimentos forçados e atuação de estruturas estatais e paraestatais contra opositores.
Ao anunciar o fim das eleições, Ortega deixa de apenas manipular o sistema e passa a defender abertamente que nenhum adversário volte a disputar o poder.
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