
A crise do Banco Master ganhou nesta quinta-feira (17) um novo capítulo diretamente dentro do primeiro escalão do Governo da Bahia. A Federação União Progressista apresentou representação à Procuradoria-Geral da República pedindo que o procurador-geral Paulo Gonet avalie requerer ao Supremo Tribunal Federal o afastamento cautelar do secretário estadual do Meio Ambiente, Eduardo Mendonça Sodré Martins, durante as investigações.
Enteado do senador Jaques Wagner (PT), Sodré permanece no governo de Jerônimo Rodrigues (PT) apesar de aparecer em documentos da Operação Compliance Zero.
A TVS1 acompanha o caso desde junho e já havia mostrado a permanência do secretário no cargo após o avanço das apurações.
A representação é assinada pelo deputado federal Arthur Maia, presidente da Federação União Progressista na Bahia, além de Paulo Azi, presidente estadual do União Brasil, e Cacá Leão, presidente do PP baiano. O documento ressalta que o pedido não significa antecipação de culpa, mas sustenta que a permanência de um investigado à frente de uma secretaria estadual precisa ser examinada diante das medidas cautelares já impostas e das suspeitas investigadas.
O argumento jurídico cita o artigo 319, inciso VI, do Código de Processo Penal, que prevê a possibilidade de suspensão do exercício de função pública quando houver receio de utilização do cargo para a prática de infrações.
O ponto mais sensível da representação está nas informações atribuídas à Polícia Federal. Segundo a investigação, Sodré teria participado de cobranças dirigidas a Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, envolvendo pagamentos relacionados à BN Financeira. Planilhas apreendidas no celular de Daniel Lopes Monteiro registrariam mais de R$ 2,34 milhões destinados a uma pessoa identificada como “Dudu”, apontada pelos investigadores como Eduardo Sodré.
A TVS1 já revelou também as mensagens nas quais o secretário teria tratado de boletos e pagamentos antes de uma transferência de R$ 3,5 milhões para a BN Financeira, empresa ligada à sua esposa, Bonnie Bonilha.
É justamente esse conjunto de elementos que os autores da representação usam para questionar a permanência de Sodré na Sema.
No documento encaminhado a Gonet, eles argumentam que comandar uma secretaria significa ter acesso a estrutura administrativa, orçamento, contratos, servidores e interlocução com órgãos públicos e empresas privadas, circunstância que, na avaliação dos signatários, justificaria análise específica pelo STF.
Sodré não foi condenado e as acusações permanecem sob investigação, mas a nova iniciativa desloca a controvérsia do debate exclusivamente político para uma provocação formal à PGR.
A situação também aumenta a exposição política do governador Jerônimo Rodrigues, que decidiu manter o secretário no cargo. Em entrevista à TV Bahia na segunda-feira (14), Jerônimo afirmou que não encontrou até agora motivo para afastá-lo e declarou que Sodré não estaria à frente da “operação central”, atribuindo à esposa do secretário a condução da questão. A declaração ocorreu justamente quando o caso Master e suas conexões com a Bahia voltaram ao centro do debate eleitoral.
A TVS1 também mostrou que, segundo reportagem do Jornal Nacional, a Polícia Federal afirmava ainda não ter recebido do Governo da Bahia toda a documentação solicitada sobre o Credcesta.
Com o pedido agora nas mãos da PGR, o caso entra em uma nova fase: caberá ao órgão avaliar se existem fundamentos para levar ao Supremo um pedido de afastamento cautelar. Enquanto isso, Eduardo Sodré continua comandando a Secretaria do Meio Ambiente e Jerônimo mantém sua decisão de preservá-lo no primeiro escalão.
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