
Rui Costa voltou a ocupar nesta segunda-feira (27) um espaço que, em qualquer campanha de reeleição, deveria pertencer ao atual governador. Durante a convenção do Avante, em Salvador, o ex-ministro da Casa Civil anunciou que revelará no sábado (1º) o segundo suplente de sua candidatura ao Senado e usou o discurso para atacar diretamente ACM Neto.
Rui criticou os vídeos gravados pelo candidato do União Brasil e tentou retratá-lo como um político distante do contato com a população.
No mesmo dia, em entrevista à Rádio Sociedade, foi novamente Rui, e não Jerônimo Rodrigues; quem anunciou que o projeto para levar o VLT até Alagoinhas deverá ser concluído dentro de três ou quatro meses e prometeu sua implantação durante um eventual novo mandato do petista.
A sequência ajuda a revelar o desenho adotado pelo grupo que comanda a Bahia há cerca de 20 anos: Rui produz os fatos políticos, confronta o principal adversário e apresenta os projetos, enquanto Jerônimo aparece como beneficiário de decisões anunciadas por seu antecessor. A estratégia pode aproveitar a maior desenvoltura pública de Rui e proteger o governador do embate direto, mas cobra um preço alto: reforça a percepção de que Jerônimo depende dos antigos padrinhos para sustentar sua campanha.
O problema fica ainda mais evidente diante do cenário eleitoral. Pesquisa Paraná divulgada em 1º de julho mostrou ACM Neto com 49,2% das intenções de voto, contra 37,5% de Jerônimo.
Quanto mais Rui tenta ocupar o centro do palco, mais cresce a pergunta que o PT precisa responder: se Jerônimo é o candidato à reeleição, por que é Rui quem continua falando, prometendo e enfrentando ACM Neto como se ainda governasse a Bahia?
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