
As redes sociais do senador Jaques Wagner (PT-BA) atravessam um dos momentos mais turbulentos desde o início da operação da Polícia Federal que o colocou no centro das investigações relacionadas ao caso Banco Master. Levantamento realizado pela TVS1 em publicações nas últimas 24 horas feitas pelo parlamentar no X (antigo Twitter) mostra que os espaços destinados à divulgação de obras, investimentos e ações do governo acabaram transformados em um verdadeiro mural de críticas, cobranças, ironias e insultos direcionados ao petista.
A reportagem analisou centenas de respostas visíveis nas publicações mais recentes do senador. Entre elas, predominam referências à investigação conduzida pela Polícia Federal, questionamentos sobre o patrimônio de Jaques Wagner, cobranças relacionadas ao Banco Master, críticas aos quase vinte anos de governos do PT na Bahia e reclamações sobre segurança pública, infraestrutura e promessas ainda não cumpridas.
Os comentários revelam um padrão repetitivo. Diversos usuários abandonam completamente o assunto original das publicações para cobrar explicações sobre a investigação. Outros fazem referências ao apartamento de aproximadamente R$ 2,5 milhões bloqueado por decisão judicial, aos relógios apreendidos durante a operação e ao relacionamento investigado entre pessoas ligadas ao Banco Master e o senador baiano.
Entre as respostas analisadas pelo TVS1 aparecem manifestações como “Vai pra cadeia”, “bandido”, “ladrão”, “marginal” e “tem a cara de pau de ficar aqui postando toda hora”.
Outros usuários perguntam “E a ponte?”, em referência à Ponte Salvador-Itaparica, questionam a situação da segurança pública no estado e afirmam que a Bahia teria piorado após sucessivos governos petistas.
Também foram identificadas críticas políticas mais amplas. Alguns usuários associam o caso Banco Master à atual administração estadual, enquanto outros relacionam a investigação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao Partido dos Trabalhadores. Há ainda comentários ironizando declarações recentes do senador, referências ao apelido “Galêgo Master” e cobranças sobre imóveis e patrimônio.
Em outra frente, diversos internautas aproveitam as postagens para atacar diretamente a gestão da segurança pública na Bahia.

Comentários afirmam que o estado vive uma escalada da violência, mencionam a atuação de facções criminosas e cobram posicionamentos de Jaques Wagner sobre o crescimento da criminalidade. Outros fazem críticas ao desempenho econômico do estado e às promessas de desenvolvimento feitas ao longo das últimas duas décadas.
Embora redes sociais não representem, por si só, o conjunto do eleitorado brasileiro, a amostra analisada pela TVS1 revela um ambiente predominantemente desfavorável ao senador nas publicações examinadas.
Nas centenas de prints analisados pela reportagem, praticamente não aparecem manifestações de apoio, enquanto críticas, cobranças e ironias predominam de forma consistente.
A repercussão ocorre cerca de um mês após Jaques Wagner ser alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. A investigação apura suspeitas envolvendo pessoas ligadas ao Banco Master e resultou em buscas autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal, além do bloqueio de bens do parlamentar. Wagner nega qualquer irregularidade e afirma ser inocente.
Estratégia digital – O clima nas redes sociais também coincide com uma mudança na estratégia digital dos principais partidos. Levantamento divulgado pela CNN Brasil mostrou que, antes da operação atingir Jaques Wagner, o PT concentrava a maior parte das publicações sobre o Banco Master, direcionando críticas ao senador Flávio Bolsonaro.
Depois da operação, porém, o partido reduziu drasticamente o volume de postagens sobre o tema, passando a priorizar a defesa de Jaques Wagner, da autonomia da Polícia Federal e da continuidade das investigações.
Na direção oposta, o PL ampliou a exploração política do caso e passou a associar diretamente Jaques Wagner ao presidente Lula em suas campanhas nas redes sociais. O resultado é que o senador petista passou a enfrentar não apenas a repercussão jurídica da investigação, mas também um ambiente digital significativamente mais hostil, inclusive em publicações destinadas à divulgação de obras, investimentos e agendas institucionais.
Até a publicação desta reportagem, o perfil oficial de Jaques Wagner permanecia recebendo novas respostas nas publicações analisadas, mantendo o padrão de críticas observado pela TVS1.
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