
A derrubada do sigilo de documentos do caso Banco Master ampliou o tamanho do quebra-cabeça envolvendo o senador Jaques Wagner (PT-BA). Relatórios da Polícia Federal reúnem um apartamento de R$ 2,45 milhões, transferência de R$ 3,5 milhões para empresa ligada ao núcleo familiar do senador, viagens em aeronaves particulares, ingressos de alto valor, dinheiro em moeda estrangeira apreendido durante buscas e até uma aplicação financeira que teria sido mantida no próprio Master.
A PF investiga se parte desses elementos representaria vantagens indevidas relacionadas à atuação política do senador.
O imóvel é uma unidade do Poème Horto, empreendimento de luxo no Horto Florestal, em Salvador. Segundo a investigação, Wagner encaminhou a Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, informações sobre a unidade e o preço de R$ 2,45 milhões. Meses depois, voltou a procurar o empresário para obter dados do proprietário necessários a um projeto de reforma. Wagner admite ter solicitado que Lima comprasse o apartamento, mas afirma que a ideia era recomprá-lo posteriormente para ajudar uma filha.

Outro eixo envolve R$ 3,5 milhões transferidos em outubro de 2025 pela PKL One Participações para a BN Financeira, vinculada a Bonnie Bonilha, esposa do enteado de Wagner, Eduardo Sodré. Separadamente, documentos analisados pela PF também colocam o nome do senador numa relação de clientes do Banco Master com uma aplicação de R$ 167.298 em CDB, cujo valor atualizado aparecia como R$ 194.897,19. Os investigadores tratam esses elementos como indícios que precisam ser contextualizados dentro da apuração.
A lista de benefícios examinados pela PF vai além do dinheiro. Relatórios citam o uso gratuito de aeronaves ligadas a Augusto Lima e Daniel Vorcaro e ingressos para shows de Taylor Swift que teriam custado cerca de R$ 63,3 mil. Em buscas realizadas em junho, a PF também encontrou aproximadamente US$ 55 mil e 33 mil euros em endereços ligados a Wagner, montante então estimado em cerca de R$ 471 mil.
A defesa declarou que a moeda estrangeira era proveniente de diárias oficiais legais, declaradas e não utilizadas em missões internacionais.
A investigação tenta descobrir se os benefícios tiveram relação com a atuação política de Wagner. A PF cita discussões sobre crédito consignado, a chamada “emenda Master”, que buscava elevar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos, e tratativas envolvendo a tentativa de venda do banco ao BRB. Os documentos mostram ainda uma longa sequência de contatos entre Wagner e Augusto Lima, apontado pelos investigadores como a principal ponte entre o senador e o núcleo de Daniel Vorcaro. A PF afirma que o conjunto é preliminar e indiciário, e não representa, por si só, prova definitiva de crime.

Wagner nega ter recebido vantagens ilícitas ou atuado irregularmente em favor do Banco Master. O senador afirma que as situações investigadas possuem explicações legítimas e diz estar confiante de que provará sua inocência.
Com a abertura dos documentos pelo STF, apartamento, transferências, viagens, ingressos, aplicações e dinheiro apreendido passam agora por escrutínio público, enquanto a Polícia Federal continua tentando estabelecer se existe ligação criminal entre esses elementos ou se as explicações apresentadas pelas defesas afastam as suspeitas.
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