
Documentos do caso Banco Master que deixaram de ser sigilosos revelaram novas medidas autorizadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), na investigação que envolve o senador Jaques Wagner (PT-BA). Entre elas estão a indisponibilidade de um apartamento avaliado em cerca de R$ 2,45 milhões, no Horto Florestal, em Salvador, um bloqueio patrimonial com limite global de R$ 5.955.250 para integrantes do núcleo investigado e o monitoramento de dados telefônicos do parlamentar.
O imóvel é a unidade 1702 do empreendimento Poème Horto e aparece em um dos principais eixos da apuração da Polícia Federal. Segundo os investigadores, recursos usados na aquisição teriam passado pelo Hockenheim Fundo de Investimento, administrado pela Reag, antes de chegar à empresa que formalmente adquiriu o apartamento. A PF investiga se a operação teria servido para ocultar o verdadeiro beneficiário do imóvel.
Wagner já reconheceu ter pedido ao empresário Augusto Lima que adquirisse a unidade, afirmando que pretendia recomprá-la posteriormente para ajudar uma filha.
A decisão revelada após a queda do sigilo também detalha o bloqueio de R$ 5,95 milhões. O valor exige uma ressalva importante: não se trata de R$ 5,95 milhões bloqueados exclusivamente de Jaques Wagner. Segundo os documentos, esse é o limite global da constrição patrimonial aplicada a 16 alvos do grupo principal, que inclui o senador, familiares e outros investigados.
Um segundo eixo da apuração envolve transferências de R$ 3,5 milhões da PKL One Participações para a BN Financeira, empresa vinculada ao núcleo familiar do petista.
Outra frente revelada nos documentos envolve o telefone do senador. Mendonça autorizou, em 17 de junho de 2026, medida de monitoramento relacionada a Wagner, Augusto Lima e outros investigados. Apesar de a decisão ser tratada tecnicamente como interceptação, ela não autorizou a PF a ouvir o conteúdo das ligações nem acessar o teor das mensagens.
A autorização alcançou metadados, registros de chamadas, SMS sem conteúdo, dados de conexão, IMEIs e informações de Estações Rádio Base, que podem auxiliar na identificação de aparelhos, contatos e deslocamentos.

A PF sustenta que Wagner mantinha relação de confiança com Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, e investiga se essa proximidade esteve ligada a vantagens econômicas e à atuação do senador em assuntos de interesse do Banco Master. Os documentos mencionam ainda pagamentos, uso de aeronaves e outras vantagens que passaram a integrar o conjunto de elementos analisados pelos investigadores.
A própria PF trata o material como parte de uma investigação em andamento, e as suspeitas ainda precisam passar pelo contraditório e pelas etapas posteriores do processo.
Jaques Wagner nega ter cometido irregularidades. O senador já afirmou que está tranquilo e que tem “certeza” de que provará sua inocência. Sobre o apartamento, sustenta que pediu a Augusto Lima que fizesse a aquisição como investidor para que ele pudesse posteriormente recomprar o imóvel.
Wagner não foi condenado pelos fatos investigados no caso Master.
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