
A sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal realizada na terça-feira (15) terminou sem uma resposta sobre a eventual investigação de Alexandre de Moraes no caso Banco Master e deixou exposto um racha que já ultrapassou os limites da Corte. Durante mais de seis horas, ministros trocaram acusações, elevaram o tom e discutiram se os casos envolvendo Moraes e André Mendonça deveriam tramitar juntos ou separados.
O placar estava em 4 a 3 pela separação quando Flávio Dino pediu vista e interrompeu o julgamento, sem que o plenário chegasse ao ponto principal da crise.
A repercussão atravessou as fronteiras. O britânico The Guardian destacou avaliações de que o Supremo vive sua maior crise desde a redemocratização, enquanto a Associated Press chamou atenção para o impacto do confronto a poucas semanas da eleição presidencial. O espanhol El País descreveu uma sessão marcada por insultos e ofensas, encerrada sem que os ministros enfrentassem a questão mais delicada: a abertura de uma investigação contra Moraes.
A cobertura internacional também ressaltou a disputa entre Moraes e Mendonça e o risco de desgaste para a credibilidade da Corte.
O tamanho do estrago acendeu o alerta no Palácio do Planalto. Lula disse a auxiliares que pretende procurar o presidente do STF, Edson Fachin, para discutir uma saída e, segundo relatos de bastidores, classificou a sessão como um “show de cinismo” e um dos dias mais tristes da história do tribunal.
A cobrança chegou também ao círculo petista: Marco Aurélio de Carvalho, coordenador da campanha de Lula em São Paulo, afirmou que Moraes tem “obrigação” de esclarecer sua relação com Daniel Vorcaro e que sua atuação anterior não lhe garante salvo-conduto.
TVS1 Notícias da Bahia, Salvador, Política e Esporte