
A Polícia Federal marcou para 7 de agosto o depoimento do senador Jaques Wagner (PT-BA) no inquérito que apura suspeitas envolvendo o Banco Master. Ex-líder do governo Lula no Senado, o petista foi alvo de buscas em 18 de junho, durante a nona fase da Operação Compliance Zero. Os investigadores pretendem esclarecer indícios de que o parlamentar teria recebido vantagens econômicas indevidas, direta ou indiretamente, por meio de familiares, pessoas de confiança e estruturas empresariais ligadas ao entorno do banco.
Wagner nega qualquer irregularidade e ressalta que não é réu nem foi denunciado.
Um dos pontos mais delicados é um apartamento de luxo no Horto Florestal, em Salvador, avaliado em aproximadamente R$ 2,5 milhões. Segundo a investigação, o imóvel teria sido comprado com recursos ligados ao Master para beneficiar o senador.
A PF também apura pagamentos de R$ 3,5 milhões feitos por uma empresa vinculada ao empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, a uma microempresa da esposa de Eduardo Sodré, enteado de Wagner. O senador afirma que pediu a Lima que adquirisse temporariamente o apartamento, que seria posteriormente recomprado para presentear sua filha, e nega ter recebido dinheiro ou atuado em favor do banco.
Wagner também deverá ser questionado sobre os cerca de US$ 55 mil e € 33 mil em espécie, além de 13 relógios, apreendidos em endereços ligados a ele. A defesa sustenta que as moedas estrangeiras são provenientes de diárias oficiais declaradas e não utilizadas em viagens internacionais.
Outro episódio que aumentou a pressão foi a tentativa de transferência de um terreno avaliado em R$ 15,8 milhões, registrada um dia depois da operação e impedida por causa do bloqueio determinado pelo ministro André Mendonça, do STF. A defesa afirma que a negociação havia sido formalizada anteriormente e que não houve irregularidade.
O depoimento poderá esclarecer essas versões, mas, por si só, não representa denúncia ou condenação do senador.
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