Saiba quantas vezes Jerônimo Rodrigues mudou discurso sobre ponte Salvador – Itaparica e quantos bilhões gastou

IA

Jerônimo Rodrigues chegou à campanha de 2022 garantindo que a Ponte Salvador–Itaparica seria construída durante seu mandato, mas a sequência de declarações dadas desde que assumiu o governo revela um caminho marcado por dúvidas, ameaças de cancelamento, acordos ainda incompletos e diferentes anúncios de início.

O “projeto final” foi lançado “oficialmente” em 1º de julho de 2026, com Lula e Jerônimo participando da cravação simbólica da primeira estaca. Pouco mais de um mês depois, entretanto, o governo informou que o principal canteiro estava com apenas 10% de mobilização e ainda preparava a infraestrutura necessária para as etapas centrais da obra.




Cronologia completa:

2023

A primeira mudança forte ocorreu em 2023. Depois da certeza apresentada aos eleitores, Jerônimo admitiu que poderia “distratar o contrato” e realizar uma nova licitação caso o consórcio chinês não apresentasse condições concretas para avançar. Em agosto daquele ano, afirmou que o custo havia subido de aproximadamente R$ 6 bilhões para perto de R$ 13 bilhões.

2024

Em junho de 2024, declarou estar “inquieto pelo ritmo”, argumentou que romper o contrato provocaria mais atraso e prejuízo, mas, na mesma entrevista, disse que teria coragem de cancelar e relicitar o empreendimento.

A incongruência mais evidente surgiu em novembro de 2024, quando Jerônimo anunciou que o acordo com as empresas chinesas estava fechado e que o documento já era redigido. Questionado logo depois sobre o preço, reconheceu que o valor continuava aberto e dependia do parecer final do Tribunal de Contas.

2025

Em maio de 2025, foi à China para buscar a assinatura que destravaria o projeto, mas voltou contando que os representantes do consórcio apresentaram cinco ou seis questões que ele não conhecia, obrigando-o a suspender a reunião e consultar sua equipe no Brasil. O acordo definitivo somente foi assinado em 4 de junho de 2025.

2026

Reprodução X

Depois da repactuação, o discurso mudou novamente e passou a transmitir certeza absoluta. Jerônimo afirmou que não se esforçaria pela ponte se ela não fosse viável e prometeu começar em junho de 2026. Em maio, ao receber materiais chineses no Porto de Salvador, disse que o início da obra já começava com a chegada dos equipamentos.

Em julho, a primeira estaca foi apresentada como o início oficial da construção civil.

A questão central não é negar que houve sondagens, projetos, licenças, mobilização e preparação dos canteiros, mas observar que etapas preliminares foram sucessivamente utilizadas como prova de que a ponte já estava começando, enquanto a execução estrutural permanecia em fase embrionária.




Joá Souza / GOVBa

O peso financeiro torna o vaivém ainda mais relevante. O projeto registrado originalmente pelo TCE custava R$ 5,34 bilhões, com R$ 1,51 bilhão de aporte estadual; hoje, o investimento estimado chega a R$ 11,6 bilhões, crescimento nominal de aproximadamente 117%, e os aportes públicos previstos se aproximam de R$ 5,5 bilhões.

Antes de a fase estrutural ganhar ritmo, já houve contratos milionários de consultoria, pagamentos ao contrato de concessão, investimentos em sondagem e ampla movimentação no fundo garantidor.

O governo precisa apresentar uma planilha única, auditável e atualizada, separando dinheiro efetivamente gasto, recursos apenas depositados como garantia, investimentos privados e créditos ainda não utilizados.

 




Sobre Mathias Jaimes

Mathias Ariel Jaimes ( DRT 5674 Ba ) , é CEO do site #TVServidor e sócio-proprietário da agência de comunicação interativa #TVS1 . Formado em publicidade na Argentina. Estudou artes plásticas na Universidade Federal da Bahia. MBA em marketing e comunicação estratégica na Uninassau. Aluno do professor Olavo de Carvalho, Curso Online de Filosofia, desde 2015.

Leia também!

“Liberdade tem limite”: Lula reforça discurso sobre redes sociais e acende alerta contra censura e liberdade de expressão

Lula volta a defender limites nas redes sociais e reacende o debate sobre censura, regulação e liberdade de expressão no Brasil.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *