
A tentativa do governo Jerônimo Rodrigues de abrir uma ponte com Carlos Muniz encontrou uma barreira formada por relações políticas, familiares e pessoais construídas dentro da oposição. Presidente da Câmara Municipal de Salvador, Muniz foi citado pelo secretário estadual de Relações Institucionais, Adolpho Loyola, como um dos nomes que o governo pretendia procurar em busca de apoio.
A reação de Bruno Reis, porém, foi imediata: o prefeito classificou a movimentação como “fake news” e afirmou que Muniz permanecerá ao lado de ACM Neto na disputa pelo Governo da Bahia.
Segundo Bruno, o próprio presidente da Câmara pediu que ele desmentisse qualquer conversa sobre mudança de lado. “O presidente da Câmara estará com a gente em qualquer circunstância. Inclusive, me pediu que dissesse isso a vocês, que irá apoiar ACM Neto”, declarou. A segurança demonstrada pelo prefeito não se apoia apenas em acordos eleitorais. Bruno e Muniz mantêm uma relação política antiga, marcada por convivência, confiança e participação conjunta na administração de Salvador.
Ao falar sobre o vereador, o prefeito também já destacou a “história que nos une”.
Outro elemento que pesa contra a investida governista é a candidatura de Carlos Muniz Filho a deputado federal. O filho do presidente da Câmara foi lançado politicamente por Bruno Reis e está filiado ao PSDB, partido integrado à coligação liderada por ACM Neto. Muniz Filho chegou a defender publicamente a eleição do ex-prefeito de Salvador, reforçando que a família ocupa hoje um espaço concreto dentro do projeto oposicionista. Na prática, uma aproximação de Carlos Muniz com Jerônimo criaria uma contradição direta com o caminho eleitoral escolhido pelo próprio filho.
Jerônimo tentou minimizar o impasse lembrando que Muniz participou de sua campanha em 2022. “Muniz fez campanha para mim. Sou muito grato a ele”, afirmou o governador, citando também a participação de Geraldo Júnior e Henrique Carballal naquela eleição. O problema para o petista é que o tabuleiro mudou. Geraldo Júnior perdeu força depois da derrota na eleição municipal de Salvador, Carballal se afastou do núcleo central da disputa e Carlos Muniz aprofundou sua relação com Bruno Reis e com o grupo político de ACM Neto.
A movimentação também revela uma dificuldade mais ampla de Jerônimo para conquistar lideranças que estavam sendo cortejadas pelo governo. O governador manteve interlocução com nomes de peso da política baiana, mas não conseguiu impedir que Zé Cocá fosse confirmado como candidato a vice na chapa de ACM Neto.
Em Feira de Santana, José Ronaldo também resistiu às aproximações e manteve seu apoio ao ex-prefeito de Salvador.
Agora, o caso de Carlos Muniz reforça a percepção de que o Palácio de Ondina procura ampliar sua base, mas encontra portas fechadas justamente entre políticos capazes de fortalecer o palanque adversário.
Para ACM Neto, a permanência de Muniz tem valor que vai além de um voto ou de uma fotografia eleitoral. O presidente da Câmara possui influência sobre vereadores, lideranças comunitárias e segmentos políticos de Salvador. Já para Bruno Reis, preservar o aliado significa manter unido o grupo que comanda a capital e impedir que Jerônimo produza um fato político capaz de sugerir divisão na oposição.
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