
A Polícia Federal identificou 74 ligações telefônicas entre o senador Jaques Wagner, do PT da Bahia, e o empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master. Segundo informações extraídas do relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, os contatos ocorreram entre novembro de 2023 e maio de 2025 e somaram pelo menos cinco horas e meia de conversas.
Os investigadores destacaram que Wagner e Augusto Lima demonstravam uma “nítida preferência” por chamadas telefônicas, em vez de conversas por mensagens. A PF também registrou que, em algumas datas, o senador e o empresário se falaram várias vezes no mesmo dia, circunstância incorporada à análise sobre a proximidade mantida entre os dois durante o período investigado.
Augusto Lima foi sócio do banqueiro Daniel Vorcaro e participou da implantação do Credcesta, sistema de crédito consignado criado durante o governo de Jaques Wagner na Bahia e posteriormente levado ao Banco Master.
De acordo com o material divulgado, a PF investiga se essa relação ultrapassou o campo institucional e envolveu atuação política em benefício de interesses ligados ao banco.
O relatório também menciona tratativas para encontros no gabinete de Wagner e uma reunião que teria contado com a participação do advogado-geral da União, Jorge Messias. Em outra frente, a investigação encontrou uma planilha segundo a qual o senador teria mantido uma aplicação financeira no próprio Banco Master.
Esses dois pontos são tratados em matérias complementares deste cluster.
Wagner afirmou estar tranquilo e disse ter certeza de que provará sua inocência. Por orientação de seu advogado, porém, evitou responder detalhadamente sobre o mérito das suspeitas. O senador também declarou que vem recebendo apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva desde a deflagração da operação.
As conclusões da PF ainda estão sujeitas ao contraditório, à análise do Ministério Público e às decisões do STF.
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