
Quando disputou o Senado pela Bahia em 2018, Jaques Wagner declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 3.355.966,73. Na relação de bens constavam um apartamento no Corredor da Vitória, em Salvador, dois apartamentos herdados no Rio de Janeiro, participação em uma fazenda em Andaraí, um lote em Vila de Abrantes, além de aplicações financeiras, ações e veículos.
Na declaração eleitoral, os imóveis são registrados pelo valor informado pelo candidato e não necessariamente pelo preço de mercado.
O patrimônio do senador voltou ao centro das atenções oito anos depois. Reportagem do Estadão revelou que Wagner tentou vender um terreno de aproximadamente 51 mil metros quadrados, em Camaçari, por R$ 15,8 milhões, um dia após ser alvo da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. A negociação acabou impedida porque o cartório recebeu ordem do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinando o bloqueio dos bens do parlamentar.
A mesma decisão também impediu a conclusão da venda de um apartamento em Salvador negociado por R$ 10 milhões.
Outra informação chamou atenção. A colunista Mariana Barbosa, do UOL Economia, revelou que Jaques Wagner adquiriu neste ano uma segunda unidade no edifício Victory Tower, no Corredor da Vitória, um dos endereços mais valorizados de Salvador. Segundo a publicação, apartamentos semelhantes no prédio são anunciados por aproximadamente R$ 9 milhões.
Wagner já possuía outro apartamento no mesmo edifício, comprado em 2011.
As investigações da Polícia Federal também mencionam um apartamento no edifício Poème Horto, avaliado em cerca de R$ 2,45 milhões. Segundo a representação enviada ao STF, os investigadores afirmam que Wagner pediu ao empresário Augusto Ferreira Lima que adquirisse o imóvel, que seria destinado à filha do senador. Em depoimento, Wagner afirmou que pretendia ajudar a filha na compra e que a aquisição seria posteriormente ressarcida. A defesa sustenta que o apartamento nunca pertenceu ao senador.
Durante o cumprimento dos mandados de busca, a Polícia Federal apreendeu aproximadamente US$ 55 mil, 33 mil euros e 13 relógios encontrados em endereços ligados ao senador. O dinheiro será submetido à perícia para identificação da origem. Os relógios também passarão por avaliação para verificar autenticidade e valor de mercado. Reportagens apontam que entre as peças há modelos atribuídos a marcas como Patek Philippe, Cartier e Hublot, mas a PF ainda não divulgou uma avaliação oficial da coleção.
O patrimônio de Jaques Wagner também apareceu nas investigações da Operação Lava Jato. Nas planilhas do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, o senador foi associado aos codinomes “Polo” e “Passivo”. Em delações premiadas, executivos da empreiteira afirmaram que ele teria recebido R$ 10,5 milhões para campanhas eleitorais de 2006 e 2010.
Wagner sempre negou as acusações e afirma que elas não foram comprovadas por provas independentes.
Embora a sequência de fatos tenha colocado o patrimônio do senador novamente sob os holofotes, a valorização de imóveis, aquisições patrimoniais e negociações imobiliárias não constituem, por si só, irregularidade.
As investigações seguem em andamento para apurar se houve ou não recebimento de vantagens indevidas, hipótese rejeitada por Jaques Wagner e por sua defesa.
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