
A tentativa do senador Jaques Wagner (PT-BA) de concluir a venda de um terreno avaliado em R$ 15,8 milhões um dia após ser alvo da Polícia Federal abriu um novo capítulo da Operação Compliance Zero. Documentos obtidos pelo jornal O Estado de S. Paulo mostram que a negociação acabou impedida por uma ordem de indisponibilidade de bens determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça.
A restrição foi registrada pelo cartório responsável antes que a transferência do imóvel fosse concluída.

Segundo a documentação, o contrato de compra e venda foi protocolado no 1º Ofício de Registro de Imóveis de Camaçari em 19 de junho, apenas um dia depois da operação da Polícia Federal que cumpriu mandados de busca e apreensão contra o senador. O terreno possui cerca de 51 mil metros quadrados e está localizado na Região Metropolitana de Salvador. A área foi negociada com uma empresa que reúne entre os sócios o Grupo City, controlador da SAF do Esporte Clube Bahia, além de outras companhias do setor imobiliário.
Na matrícula do imóvel consta o registro da ordem expedida pelo STF. O documento informa que, em cumprimento à decisão do ministro André Mendonça, foi averbada a indisponibilidade do bem de propriedade do senador, impedindo a conclusão da venda. A medida integra o conjunto de cautelares autorizadas na nona fase da Operação Compliance Zero, que investiga supostos crimes financeiros, lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa relacionados ao Banco Master.
Além do terreno em Camaçari, outro negócio imobiliário de Jaques Wagner também foi atingido pela decisão judicial. Um apartamento em Salvador, negociado por aproximadamente R$ 10 milhões, teve a transferência bloqueada. De acordo com os documentos publicados pelo Estadão, o senador já havia recebido cerca de R$ 12 milhões referentes às duas negociações antes da efetivação do bloqueio judicial.
A investigação da Polícia Federal aponta suspeitas de que Wagner tenha recebido vantagens econômicas indevidas para atuar em favor de interesses ligados ao Banco Master. Entre as linhas de apuração estão a aquisição de um apartamento de luxo avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões, supostos repasses financeiros a pessoas ligadas ao seu núcleo familiar, viagens em aeronaves privadas e outras vantagens que, segundo os investigadores, teriam sido oferecidas por empresários investigados.
O senador nega as acusações e afirma que não praticou qualquer irregularidade.
Em nota encaminhada por seu advogado ao Estadão, Pablo Domingues, Jaques Wagner afirmou que não comentará assuntos que não estejam relacionados à sua campanha eleitoral e sustentou que todas as transações são públicas e regulares. “Todos os fatos apurados são públicos e com registros públicos. Não há mínima irregularidade e nem nada a esconder”, declarou a defesa.
Até o momento, o senador não foi condenado no caso, e as investigações da Operação Compliance Zero seguem em andamento sob supervisão do Supremo Tribunal Federal.
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