
A Polícia Federal encontrou mensagens trocadas entre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e a empresária Roberta Luchsinger que tratam de negócios, reuniões e articulações envolvendo integrantes do governo federal. A revelação foi feita nesta segunda-feira (17) pelo jornalista Tácio Lorran, do Metrópoles, e a existência das mensagens foi posteriormente confirmada pela CNN Brasil.
Em um diálogo de 22 de março de 2024, Roberta escreve que os dois estariam em outro nível e dispara a frase que ganhou repercussão: “Nosso futuro é Suíça”. Na mesma conversa, Lulinha menciona encontros com Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, então chefe de gabinete de Lula, e Swedenberger Barbosa, o Berger, ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde.
A CNN informou que o material está entre os elementos analisados pela PF em investigação sobre suposto tráfico de influência no governo federal.
Outro diálogo revelado pelo Metrópoles coloca Lulinha diretamente em uma conversa sobre emissão de nota fiscal envolvendo o empresário Cleber Ribas, sócio da 3Structure IT.
Segundo a reportagem, em julho de 2023, Lulinha orientou Roberta: “Emite a NF pro Cleber”. Após ela responder que já havia feito, o filho do presidente comemorou: “Boaaaaa”. Cleber Ribas é investigado em um dos inquéritos que apuram suspeitas de corrupção e tráfico de influência e, conforme a PF, sua relação com Lulinha passou a ser examinada.
A investigação também identificou pagamento de R$ 150 mil da 3Structure à empresa de Roberta, que Ribas afirma ter correspondido a serviços de assessoria para prospecção de clientes.
A Folha informou anteriormente que a PF também apura a suspeita de que o empresário teria bancado ao menos uma viagem de Lulinha em troca de eventual favorecimento, hipótese negada pela defesa do filho de Lula.
A investigação avança ainda sobre a relação de Roberta com Marcola, que ocupou a chefia de gabinete de Lula. Mensagens divulgadas pelo Metrópoles mostram conversas sobre um par de solitários e um colar de diamantes, e a PF suspeita que presentes, pagamentos de contas e outras despesas tenham sido utilizados para ampliar o acesso da lobista ao núcleo do Palácio do Planalto. Marcola reconheceu ter mantido uma operação financeira de R$ 249 mil com Roberta, mas afirma que se tratou exclusivamente de um empréstimo pessoal, já quitado, sem qualquer relação ilícita com sua função pública.
Paralelamente, a PF investiga a ligação de Roberta com Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS: investigadores identificaram repasses que somam R$ 1,5 milhão para a empresária e analisam uma transferência em que Antunes teria mencionado dinheiro para o “filho do rapaz”, expressão apontada pela investigação como possível referência a Lulinha.
Lulinha é atualmente alvo de três inquéritos da Polícia Federal, dois autorizados pelo ministro André Mendonça e outro pelo ministro Flávio Dino, ambos do Supremo Tribunal Federal.
A defesa do filho de Lula nega irregularidades e, sobre as mensagens divulgadas, afirmou que não pode confirmar sua veracidade e classificou a divulgação de fragmentos sigilosos como vazamento criminoso e fora de contexto.
A defesa de Roberta disse que respeitará o sigilo dos autos.
Na sexta-feira (14), antes das novas revelações, o próprio presidente Lula declarou confiar no filho, mas afirmou que não pretende pedir o encerramento das investigações.
A Operação Sem Desconto, origem de parte do material apreendido, investiga um esquema nacional de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões e teve nova fase deflagrada pela PF em agosto para apurar suspeitas de lavagem de dinheiro.
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Petista que é petista não cansa de roubar
Tem que prender todo mundo, bando de ladrão vagabundo